Análise detalhada do filme Maldição da Múmia (2026): trama, direção e desempenho dos atores

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Antes mesmo do remake estrelado por Brendan Fraser se consagrar na cultura pop como uma mistura da múmia com Indiana Jones, os produtores queriam um filme de terror de baixo orçamento que nunca encontrou um consenso para ser aprovado. Em meio ao fracasso da Universal em criar seu acervo de monstros cinematográfico, Lee Cronin recebe a proposta de contar uma história de terror sobre o conceito da mumificação ao seu modo. Diante do sucesso estrondoso de Evil Dead Rise, os envolvidos tiveram total confiança para titular e vender o longa como Lee Cronin’s The Mummy, a fim de deixar claro que a produção é independente, distante de qualquer versão contada sobre a múmia. O que o cineasta irlandês faz aqui é imaginar uma história diferente de um faraó que quer ressuscitar, e sim com uma pessoa comum que foi mumificada. A partir desse ponto Cronin passa a moldar o seu conceito de fazer um filme de possessão sobre a múmia.

É interessante observar que Cronin trata a proposta como a chance de fazer o seu primeiro blockbuster de terror psicológico, o que fica claro pela barriga criada na tentativa de encontrar um ritmo narrativo frente à extensa duração. São muitos cortes enquanto a edição costura o drama de uma tragédia familiar: a filha de um casal é sequestrada e tida como desaparecida, porém, surge oito anos depois, dentro de um sarcófago. O fato do cineasta ser criativo é o que torna Maldição da Múmia original e promissora, mesmo para uma típica trama de uma família assombrada por uma força sobrenatural. Se em A Morte do Demônio: Ascensão Cronin explorou a ideia de levar a entidade para novos cenários, aqui, a criança mumificada é a sacada para o terror. Nesse sentido, o cineasta está inclinado em explorar mais desse processo e potencializá-lo pelo viés do terror: o que fica depois desenrolar um cadáver?

Sabemos que esse é um clássico conto de possessão, mas antes das demonstrações demoníacas, Cronin quer um filme grotesco, que se apoia na sua natureza perversa para criar uma experiência aterrorizante. E isso começa com o conceito de decomposição através do retorno da desaparecida Katie: o cabelo caindo, a pele ressecada, membros atrofiados, e unhas grandes são detalhes que testam a audiência. O ponto aqui é que não se trata de um body horror, contudo, Cronin sabe como criar o terror a partir do corpo mumificado — o que entra a cena com um cortador. Percebamos como a câmera passa a filmar de maneira diferente com a chegada da criança e que, gradualmente, vai transformando a estética do longa: o visual sujo, a fotografia amarelada e os enquadramentos claustrofóbicos dentro da casa que fica cada vez mais sombria, degradante — a exemplo da parede do lado de fora quarto de Katie.

Por ter sido o seu último filme, a comparação com Evil Dead Rise é inevitável, porém o que Cronin faz com uma lente slip diopter em Maldição da Múmia é impressionante. Aqui cria-se uma forte identidade visual com os enquadramentos, e as cenas com campos divididos intensificam a atmosfera e dá um tom sufocante para a abordagem do cineasta, o que entra também o trabalho de som de Stephen McKeon: composições densas que atreladas as imagens geram um misto de desconforto e tensão. Quando percebemos que o longa não se limita a um conto independente e foi pensado para ser uma experiência cinematográfica, aproveitamos todos os artifícios que Cronin aplica, e fica notável como ele se desafiou em transmitir um sentimento diferente entre as cenas, o que pode ser citado o plot do velório como um dos trechos em que Cronin quis deixar a sua marca. É mórbido, agonizante e firma que a sua ideia é impactar o público com as imagens sendo arrancadas nos cortes abruptos deixando apenas o choque e repulsa.

Cronin criou um filme de possessão que se apresenta como um pesadelo interminável, cruel e visceral e que surpreende pelo rosto marcante da sua antagonista — vivida por Natalie Grace — se encaixar com a proposta de ter uma criança que cresceu mumificada e depois foi possuída como vilã. Porém, o fato de remeter a outras produções do gênero e por vezes parecer que é um filme de possessão convencional com elementos da múmia, faz Maldição da Múmia parecer desconexo do próprio conceito de ser uma versão alternativa de terror com o clássico monstro, mas assim, funciona dentro da lógica de sua mitologia. Com referências e inspirações assumidas ou não, o longa é a prova de que reinventar será sempre um desafio, e Cronin encontrou nos tropos do subgênero sobrenatural da possessão e exorcismo a sua forma de contar uma história perversa sobre a múmia.

Maldição da Múmia (Lee Cronin’s The Mummy – Irlanda, Espanha, 2026)
Direção: Lee Cronin
Roteiro: Lee Cronin
Elenco: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy, Natalie Grace, Shylo Molina, Billie Roy, Veronica Falcón, Hayat Kamille, May Elghety, Emily Mitchell, Dean Allen Williams
Duração: 124 min





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