Análise do episódio 5×05 de For All Mankind: o tema da liberdade em destaque

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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos demais episódios.

No estranho episódio anterior, a quinta temporada de For All Mankind pareceu ter recomeçado ou, talvez, efetivamente começado, com a introdução do conflito causado pela automação como ameaça à força de trabalho em Marte parecendo algo que já vinha sendo debatido desde a temporada anterior, o que, obviamente, está longe de ser verdadeiro. O vazamento da informação por Alex, de certa forma mantendo acesa a tocha da rebelião de seu avô, apesar de ter feito todo sentido, veio como uma extrema facilidade de roteiro que me pareceu indicar, pela primeira vez na série, um problema de falta de planejamento talvez causado pela notícia de que a sexta temporada será a última e/ou pela produção de Cidade das Estrelas, série spin-off que começará assim que a presente temporada de For All Mankind chegar ao fim.

Essa qualidade marcante – no bom ou no mau sentido, podem escolher – de Código Aberto acaba por contaminar Liberdade, pois a sensação de que a temporada começou em seu quarto episódio continuou firme e forte aqui, com um capítulo de metade de temporada que efetivamente tem toda a estrutura de capítulo de metade de temporada, mas sem a urgência e a força que ele talvez pudesse ter em outras circunstância. É bem verdade que o vazamento das informações sobre a automação como parte de um acordo de bastidores entre as empresas Helios e Kuragin que leva a protestos pela população civil no Planeta Vermelho temendo sua deportação assim que ela se tornar inútil casa bem com a investigação de Celia Boyd sobre o assassinato ocorrido por lá e eu até dou crédito para a forma como ela conclui esse seu trabalho, descobrindo que o assassino foi seu parceiro em uma operação clandestina ordenada pelos mandachuvas, o que certamente será informação chave para o desenrolar do conflito, mas tudo me pareceu corrido demais, espremido demais, sem deixar espaço para cadenciar os passos de Celia ou para permitir, na outra ponta, que Miles reveja sua postura “vendida” esses anos todos.

Tecnicamente, o roteiro de Kira Snyder funciona, mas somente porque há uma válvula de escape que permite desdobramentos diretos no próximo episódio, evitando que o que já parecia rápido demais fosse resolvido em um estalar de dedos. O mesmo pode ser dito da direção de Sylvain White, que faz seu melhor diante do material que tem, o que infelizmente impede que o elenco tenha espaço para atuar. Talvez somente o retorno de Svetlana Efremova como Irina Morozova, ex-KGB, ex-diretora da Roscosmos e, agora, chefe de segurança da Kuragin, tenha recebido o tratamento cadenciado que o evento merecia, com todo aquele bem executado prólogo em um gulag na Sibéria para aonde ela foi mandada em 2003 e onde passou quase dois anos “sendo reabilitada” e criando a oportunidade – ok, fácil demais, admito – para sua saída funcionando como uma promessa de que ela será usada como a literal foice e martelo em Marte. Mas é muito pouco e a reintrodução de personagem da temporada anterior agora, no episódio seguinte à reintrodução de Avery “A.J.” Jarrett, que sequer dá as caras aqui, aliás, é mais um fator que me leva a estranhar essa nova direção da temporada, com coisa nova demais acontecendo em hora muito adiantada.

Até mesmo a escalada da revolta marciana em si é muito… ordinária, simplista, nada muito diferente do que já  vimos mil vezes antes em diversas outras obras audiovisuais. E não, não esperava nada original, mas também não esperava algo tão pedestre. Claro que a função foi cumprida, mas “cumprir a função” é uma régua baixa demais para medir qualquer coisa, especialmente uma série como For All Mankind, que já foi capaz de deslumbrar diversas vezes mesmo abordando histórias simples e batidas. Se pelo menos a produção tivesse dado tempo ao tempo, começado com a possível revolta desde o início da temporada, trabalhando compassadamente a questão da automação, aos poucos acrescentando mais elementos, como o assassinato, a morte de Ed, a reentrada de A.J. e Irina, tenho certeza de que a conversa, agora, seria bem diferente. Do jeito que ficou, Liberdade continua a tendência de baixa de uma temporada que sabe o que que contar, mas não como quer contar. Ainda há tempo para elevar a qualidade da penúltima temporada da série, mas confesso que, pela primeira vez desde 2019, estou temeroso por essa fascinante História Alternativa.

For All Mankind – 5X05: Liberdade (For All Mankind – 5X05: Svoboda – EUA, 24 de abril de 2026)
Criação: Ronald D. Moore, Matt Wolpert, Ben Nedivi
Direção: Sylvain White
Roteiro: Kira Snyder
Elenco: Cynthy Wu, Coral Peña, Toby Kebbell, Mireille Enos, Edi Gathegi, Costa Ronin, Sean Kaufman, Ruby Cruz, Shannon Lucio, C. S. Lee, Dimiter Marinov, Randy Oglesby, Myk Watford, Ines Asserson, Krys Marshall, Svetlana Efremova
Duração: 52 min.





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