Dupla brasileira assume curadoria da 37ª Bienal de São Paulo
A Fundação Bienal de São Paulo anunciou oficialmente Amanda Carneiro e Raphael Fonseca como os curadores-chefes da 37ª edição da Bienal, marcada para o segundo semestre de 2027 no pavilhão do Parque Ibirapuera. Ambos com cerca de 40 anos, pertencem a uma geração jovem e já consolidada, trazendo experiência internacional e profundo conhecimento do cenário artístico brasileiro.
Perfis destacados com trajetórias promissoras
Amanda Carneiro, paulista, é curadora no Museu de Arte de São Paulo (Masp) desde 2018. Sua formação em ciências sociais e história social pela USP fundamenta uma carreira que revisita a história da arte nacional, valorizando artistas negros, mulheres e vozes marginalizadas. Destacou-se em exposições de nomes como Sonia Gomes e Beatriz Milhazes, além de participar da organização da 60ª Bienal de Veneza.
Raphael Fonseca, carioca radicado em Lisboa, atua como curador na Fundação Culturgest, em Portugal, e no Denver Art Museum, nos EUA. Recentemente, foi curador do Pavilhão de Taiwan na Bienal de Veneza e liderou a 14ª Bienal do Mercosul. Seu trabalho ganhou visibilidade mundial, aparecendo na lista Power 100 da ArtReview, referente aos cem nomes mais influentes do universo das artes visuais.
Retorno à curadoria brasileira com renovação
Após a edição anterior comandada pelo curador camerounês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, a Bienal retorna ao formato de dupla curatorial brasileira em regime de paridade — algo que reforça o compromisso com a diversidade e pluralidade na direção artística do evento. Essa nomeação simboliza uma retomada da identidade da bienal com seus contextos locais.
Preocupação com a clareza e a experiência do público
A escolha de Carneiro e Fonseca acontece em meio a um esforço para tornar a Bienal mais acessível e clara para o público. A edição anterior enfrentou críticas pela exposição pouco didática, em que as obras ficaram escondidas atrás de cortinas e faltava identificação dos artistas e seus contextos. Para evitar tais problemas, a Fundação Bienal revisou os contratos dos curadores, criando mecanismos institucionais de controle para impedir exageros conceituais que prejudiquem a experiência dos visitantes.
Expectativas para a edição de 2027
A 37ª Bienal deve manter a linha crítica e consciente das últimas edições, abordando temas como racismo, gênero, colonialidade e narrativas fora do cânone dominante. Com a curadoria de Amanda Carneiro e Raphael Fonseca, a proposta é equilibrar essa agenda com uma apresentação mais acessível e didática, para atingir um público mais amplo sem abrir mão do rigor artístico e da pluralidade.
Detalhes ainda por definir
Apesar da divulgação dos curadores-chefes, muitos detalhes da edição de 2027 ainda não foram anunciados. Não há informações confirmadas sobre o título, tema ou lista de artistas que integrarão a mostra. Resta aguardar os próximos meses para conhecer a direção e os conceitos que Amanda Carneiro e Raphael Fonseca trarão para um dos maiores eventos de arte contemporânea do Brasil e da América Latina.