Diretor Dan Reed critica cinebiografia de Michael Jackson
O britânico Dan Reed, diretor do controverso documentário “Leaving Neverland”, manifestou forte desaprovação ao novo filme biográfico sobre Michael Jackson, intitulado “Michael”. Reed qualificou a produção como uma versão “higienizada” da história do cantor, apontando que o longa ignora completamente as graves acusações de abuso sexual infantil que envolvem o astro.
Filme evita acusações centrais do documentário
Em entrevista à revista Variety, Reed destacou que o filme apresenta Jackson como uma figura excêntrica, quase infantilizada, sem confrontar as denúncias centrais feitas por Wade Robson e James Safechuck em “Leaving Neverland”. Segundo Reed, a narrativa tenta justificar o afeto de Jackson por crianças como um gesto angelical, omitindo qualquer contexto suspeito ou criminoso.
Depoimentos de vítimas em “Leaving Neverland”
O documentário lançado em 2019 traz relatos chocantes de Robson e Safechuck, que afirmam ter sofrido abuso sexual por parte do cantor ainda na infância, entre o final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Para Reed, “Michael” deliberadamente encerra sua narrativa antes do surgimento dessas denúncias, ignorando uma parte crucial da história de Jackson.
Resposta indireta e narrativa incompleta
Segundo Reed, o filme seria uma reação direta à repercussão de “Leaving Neverland”. A tentativa inicial de abordar as acusações no roteiro não funcionou, levando os produtores a optarem por uma produção sem polêmicas, focando na música e na imagem pública do artista. O resultado, para Reed, é uma narrativa frágil que não explica de forma coerente o relacionamento de Jackson com crianças.
Sucesso comercial e impacto cultural
“Michael” alcançou grande sucesso nas bilheterias, arrecadando cerca de US$ 217 milhões mundialmente, e impulsionou um aumento significativo na reprodução das músicas do cantor nas plataformas digitais. Para Reed, esse fenômeno reforça a dificuldade da cultura pop em lidar com as acusações e o legado artístico de Jackson de forma integrada.
Barreiras jurídicas à circulação de “Leaving Neverland”
Reed também atribui a limitada distribuição de seu documentário na América do Norte a acordos legais entre a HBO e o espólio de Michael Jackson. Desde 2020, “Leaving Neverland” foi retirado das plataformas da emissora nos Estados Unidos e no Canadá após disputas legais, o que restringiu o acesso do público àquela versão da polêmica.
Desafios em reconciliar arte e controvérsia
A crítica de Dan Reed expõe um dilema complexo: como interpretar e representar um artista tão influente, cuja trajetória é marcada por controvérsias profundas? A recepção do filme “Michael” mostra que para parte do público, a figura do “Rei do Pop” ainda é motivo de fascínio e celebração, enquanto para outros permanece um retrato controverso e doloroso.