Moda e cinema: uma relação que antecede “O Diabo Veste Prada”
Antes mesmo do fenômeno “O Diabo Veste Prada” e sua recente continuação com Meryl Streep e Anne Hathaway, o universo da moda já brilhava nas telas do cinema. Figurinos, revistas, desfiles e personagens marcantes compunham histórias que fascinavam tanto os amantes da moda quanto os cinéfilos. Três filmes emblemáticos ilustram essa conexão antiga e poderosa entre moda e cinema, servindo de inspiração para gerações.
Modelos (1944): a moda em cena com ritmo e dança
“Modelos” é um musical dirigido por Charles Vidor que usa um concurso para escolher a nova ‘garota da capa’ como pano de fundo. Rita Hayworth interpreta Rusty, uma talentosa dançarina de Nova York que vê na moda uma chance para transformar sua carreira. Ao participar da competição, ela enfrenta desafios que testam sua relação com Danny, interpretado por Gene Kelly.
O filme é notório não só pelo enredo, mas pela inovação nas cenas de dança, que foram filmadas simultaneamente por três câmeras para capturar diferentes ângulos. Gene Kelly, além de atuar, fez sua estreia como coreógrafo, trazendo criatividade ao usar sua própria imagem como ‘consciência’. Com trilha sonora premiada com Oscar, “Modelos” é um clássico indispensável para quem aprecia moda e movimento na tela.
Cinderela em Paris (1957): Audrey Hepburn e o charme da moda parisiense
Quando se fala em moda no cinema, Audrey Hepburn é referência imediata. Em “Cinderela em Paris”, ela vive Jo, uma livreira intelectual que se transforma em destaque de uma revista de moda nova-iorquina. O filme, dirigido por Stanley Donen, apresenta a moda como elemento central, principalmente nas sessões de fotos em Paris.
Os figurinos são assinados por Henry Givenchy, parceiro inseparável de Hepburn, e por Edith Head, lendária figurinista. Entre longos vestidos, casacos elegantes e até um vestido de noiva, o filme celebra o glamour e a sofisticação da moda, contrapostas à jornada pessoal de Jo. A personagem Maggie, uma editora exigente, antecipa a famosa Miranda Priestly, inspirada na influente Diana Vreeland.
Pret-à-Porter (1994): o mosaico da moda durante a Semana de Moda de Paris
Robert Altman apresenta, em “Pret-à-Porter”, um retrato multifacetado da moda no contexto da Semana de Moda de Paris. Com um elenco estrelado, incluindo Sophia Loren, Marcello Mastroianni, Julia Roberts e Lauren Bacall, o filme mescla personagens fictícios e personalidades reais do mundo da moda.
O longa explora bastidores, rivalidades e glamour, mostrando desde editoras de revistas concorrentes até estilistas renomados como Jean-Paul Gaultier e Christian Lacroix em ação. A trama destaca a complexidade da indústria da moda, com todos os seus conflitos e fascínios, coroando um retrato vívido e sofisticado do universo fashion.
A moda como personagem principal e inspiração cinematográfica
Esses filmes vão além de simples figurinos: eles transformam a moda em protagonista, refletindo seu impacto cultural e social. Cada obra revela diferentes facetas do universo fashion — da dança e glamour à complexidade dos bastidores e disputas por poder. O cinema, ao abrir espaço para esse tema, intensifica o fascínio pela moda, mostrando sua capacidade de encantar, desafiar e contar histórias profundas.
Onde assistir esses clássicos do cinema da moda
Para quem deseja mergulhar nessas narrativas de estilo e emoção, “Modelos” está disponível no Prime Video para aluguel ou compra. “Cinderela em Paris” pode ser alugado em Prime Video e Apple TV, enquanto “Pret-à-Porter” está acessível para assinantes do Looke e gratuito no NetMovies.
Explorar esses filmes é uma forma prazerosa de entender como a moda influencia não só o visual, mas a alma do cinema, construindo personagens e cenas memoráveis que resistem ao tempo.
O legado da moda no cinema moderno
Essas produções pavimentaram o caminho para os filmes contemporâneos que conectam moda e narrativa, como “O Diabo Veste Prada”. Ao revisitá-los, resgatamos a riqueza histórica dessa relação, que continua vibrante e inspiradora. O universo fashion no cinema é um convite constante para observar beleza, poder e transformação — em um desfile que nunca termina.