Jogo brasileiro revive terrores da ditadura militar
“Subversive Memories” traz um impacto imediato: Renata acorda sem memória após um acidente diante de um quartel das Forças Armadas, em um cenário escuro e silencioso, refletindo a atmosfera pesada da ditadura militar brasileira. Lançado em abril para PC, o jogo combina terror psicológico com uma trama de mistério e memória, convidando o jogador a desvendar segredos em um ambiente opressor e desolado.
Atmosfera inspirada nos clássicos do terror
Com gráficos poligonais simples, “Subversive Memories” evoca o estilo de jogos icônicos como “Alone in the Dark” e “Resident Evil”. O jogador explora uma base militar sombria e seus túneis subterrâneos, onde enfrenta quebra-cabeças desafiadores e sombras de entidades fantasmagóricas. A lanterna de bateria limitada intensifica a tensão, demandando estratégia e atenção constante.
Habilidades sobrenaturais como ferramenta narrativas
Renata não está sozinha em sua jornada — suas habilidades mediúnicas permitem dialogar com espíritos, revivendo momentos-chave do passado e revelando histórias ocultas. Essa mecânica reforça a imersão emocional, explorando temas de memória, trauma e esquecimento, essenciais para a compreensão da narrativa e do contexto histórico retratado.
Um projeto solo com apoio comunitário
Criado pelo paulista Akira Ribeiro, que desenvolve sua produção no Japão, o jogo surgiu como um projeto de estudo do motor Unity em 2023. Com apoio de profissionais para trilha sonora e programação e a colaboração ativa da comunidade do canal de YouTube Nautilus, “Subversive Memories” demonstra um esforço colaborativo, mesmo sendo obra de um estúdio solo.
Reflexões pessoais e históricas no cerne da narrativa
Para Akira, o jogo vai além de uma simples ambientação histórica. O receio do apagamento das memórias das vítimas da ditadura permeia o texto e a jogabilidade. Pesquisas extensas em fontes autênticas dão peso à fidelidade histórica, enquanto o drama pessoal do criador — distante da família por anos — adiciona uma camada emocional profunda, tornando a obra um tributo à memória e à resistência.
Futuro dos jogos da Southward Studio
Com o ciclo de “Subversive Memories” encerrado, Akira Ribeiro planeja seguir novos caminhos criativos, buscando criar jogos mais leves e alegres. Mesmo com a possibilidade de adaptações ou colaborações futuras, não há planos para sequências ou DLCs. Seu desejo é inovar o gênero, talvez mesclando terror com comédia, e explorando personagens carismáticos em universos assustadores, prometendo uma diversidade temática no futuro da Southward Studio.