Três grandes peixes são encontrados após entrarem por uma janela no edifício Copan, revela Socorro Acioli

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Um amor inesperado por São Paulo

Desde a primeira visita a São Paulo, em 1998, a cidade parecia distante de meus desejos. Nunca imaginei morar ali, nem perseguir a tradicional noção de sucesso nas grandes corporações. A história de um tio que se aventurou na capital paulista nos anos 70 e viveu uma vida marcada por segredos e preconceitos reforçava essa distância. Mesmo assim, São Paulo se revelou um espaço rico em memórias e histórias que me conectaram, ainda que à distância.

Fortaleza: o porto seguro e o ritmo da vida

Minha alma sempre pertenceu a Fortaleza, cidade de brisas suaves, maresias e um ritmo desacelerado. Enquanto amigos voltavam da capital com sotaques transformados, carregando a aura da “vitória” paulista, eu mantinha minha tranquilidade, admirando a movimentação intensa mas inalcançável da avenida Paulista. Meu temperamento simples não se encaixava no ritmo acelerado exigido pela metrópole.

O fascínio pelo Copan: paixão à primeira vista

Tudo mudou em julho de 2021, quando me hospedei no icônico edifício Copan, obra-prima de Oscar Niemeyer. De um apartamento alto, diante de um céu cinza e uma imensidão de concreto e vida humana, fui tomada por uma paixão inesperada. A visão das janelas vizinhas, dos pequenos rituais familiares e da vida pulsante do prédio criou uma conexão profunda, capaz de transformar esta estrutura de 1.160 unidades em algo mais que um endereço: um lar para minha imaginação e meu coração.

Comprar no Copan: o sonho realizado

A acolhida do público às minhas histórias e livros criou uma possibilidade real: adquirir um apartamento no Copan. Niemeyer pensou em moradias diversas, feitas para múltiplos perfis, e assim encontrei meu lugar naquela imensidão. A antiga proprietária vendeu, dando vida a uma nova história que seria contada por mim. A chegada ao grupo de moradores revelou a alma viva do prédio, cheia de relatos fascinantes, mistérios e até assombrações.

Mistérios e lendas: os três peixes na janela

Um dos relatos mais curiosos aconteceu numa noite de tempestade, quando três peixes grandes apareceram em minha sala, ao lado dos brises. Perguntas multiplicavam-se: voaram? Caíram do céu? Moradores compartilharam histórias igualmente inusitadas — desde bitucas de cigarro, calcinhas recolhidas misteriosamente, até visitas inusitadas de gatos e pombos. Essa mistura de real e imaginário cria um atmosfera única no Copan, onde a história e o misticismo se entrelaçam.

Memórias, presentes e um futuro dividido

Meu apartamento no Copan é mais que um imóvel: é uma homenagem ao tio José e a todos que vieram antes de mim, carregando memórias e histórias. Continuo morando em Fortaleza, mas o Copan se tornou meu refúgio, meu espaço de criação e sonho. Com reformas em andamento e o aluguel de outro apartamento no prédio, cercada por móveis de antigos moradores, sinto a presença viva do passado. Mesmo diante dos relatos de fantasmas que assustam as equipes de limpeza, sigo tranquila, acreditando que os “Três Peixes” são meus guardiões contra qualquer intempérie espiritual.

Novos passos na Folha: uma coluna semanal

A partir de hoje, divido minhas histórias e reflexões semanalmente na Folha, ampliando esta conexão com leitores de todo o Brasil. O Copan e suas histórias continuam a ser fonte inesgotável de inspiração, onde a fantasia e a realidade se encontram para contar as narrativas que nos definem e nos emocionam. Seja em Fortaleza, com sua tranquilidade, ou no coração pulsante de São Paulo, minha escrita busca traduzir essa riqueza de vida e memória.

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