Cinemark adota animação brasileira para cumprir obrigatoriedade da Cota de Tela

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Cinemark usa animação para acelerar cumprimento da Cota de Tela

A rede Cinemark encontrou um atalho para cumprir a Cota de Tela, regra que obriga exibidoras a reservar um percentual da programação para filmes brasileiros. A estratégia? Exibir em massa a animação nacional “Zuzubalândia – O Filme”, lançado originalmente há dois anos. Só em São Paulo, foram programadas 114 sessões em um único dia, concentradas no começo da manhã e início da tarde.

A brecha na regulamentação e a duração do filme

“Zuzubalândia” é um média-metragem de apenas uma hora — dez minutos a menos que o limite mínimo para longa-metragem. Por isso, não deveria entrar na contagem oficial da Cota de Tela, que privilegia longas. Mas a Cinemark se aproveitou da regra que exige predominância de obras longas na programação, interpretando que a exibição do filme, ainda que curta, conta para alcançar a meta de 16% de sessões brasileiras.

Exibições vazias e o uso do programa Projeto Escola

As sessões ocorrem majoritariamente em horários de baixa audiência, como 11h da manhã, com relato de salas praticamente vazias. A rede justifica a alta frequência por meio do Programa Projeto Escola, que permite a instituições reservarem salas para grupos de estudantes, mediante pagamento. Mesmo assim, muitas sessões ficam sem público, levantando questionamentos sobre o impacto real dessa estratégia.

A exclusividade e o modelo financeiro do contrato

O acordo entre Cinemark e Mariana Caltabiano, produtora e diretora da animação, garante à rede 70% da bilheteria líquida, diferente do modelo tradicional, onde a receita é dividida entre exibidoras, distribuidoras e produtoras. Caltabiano defende o contrato direto como um caminho para produtores infantis brasileiros ampliarem chances de bilheteria, apesar de não saber que seu filme estaria sendo usado para cumprir a cota.

Impacto no circuito nacional e críticas ao mecanismo

Enquanto “Zuzubalândia” acumula milhares de sessões, outros lançamentos brasileiros de maior apelo comercial têm muito menos espaço nos cinemas. O sistema da Cota de Tela é criticado por não garantir horários nobres para os filmes nacionais, o que limita a formação de público e a diversidade do cinema brasileiro exibido.

Ajustes na regra para incentivar exibições mais qualificadas

Ciente das falhas do mecanismo, a Ancine anunciou mudanças na regulamentação para premiar sessões de filmes brasileiros exibidas após as 17h e valorizar produções premiadas em festivais. Apesar da crítica, o órgão evita punições à Cinemark, destacando a necessidade de diálogo e adaptação sem comprometer a sustentabilidade das redes exibidoras.

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