Mutarelli, aos 62 anos, lança livro marcado por reflexões de despedida

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Lourenço Mutarelli e a rotina da surpresa na doença grave

Aos 62 anos, o escritor e quadrinista Lourenço Mutarelli enfrenta uma rotina intensa e singular, marcada por acordar às 3h da manhã para desenhar, escrever e lidar com questões pessoais profundas. Sob o peso de uma cardiopatia grave que necrosou 70% de seu coração após duas paradas cardíacas em 2020, ele encara a vida com uma “ótica de despedida”. Mesmo assim, não perde a força criativa que sustenta sua obra.

Um novo romance entre sonho, delírio e memória fluida

Seu décimo romance, “Masuaki e/ou Não Deixe os Cachorros Latirem Sozinhos”, lançado pela Companhia das Letras, mergulha em personagens que vivem na tênue linha entre insônia, música, drogas, lembranças e relações instáveis. Na narrativa, o real começa a se deformar, enquanto sonho, vigília e delírio se fundem, fazendo memórias e identidades parecerem fluidas e instáveis.

Poesia surreal com pitadas de realidade dolorosa

Após ter explorado uma autobiografia metafórica e hipnagógica em “O Livro dos Mortos” (2022), Mutarelli buscou um trabalho mais distante da própria vida. Mas, inevitavelmente, sua realidade voltou a invadir o processo criativo. A sombra da cardiopatia — que o mantém com apenas 30% de funcionamento cardíaco — permeia o livro e sua visão da vida, revelando um autor que caminha no “corredor da morte”, mas não perde a lucidez.

Masuaki Kiyota: mito e obsessão que viraram ficção

O personagem central é inspirado em Masuaki Kiyota, médium japonês que no fim dos anos 1970 apareceu no programa Fantástico prometendo imprimir fotos com a mente e entortar talheres. Mutarelli, então adolescente, ficou obcecado pela história, tentando replicar o suposto fenômeno com câmera Xereta em casa. A narrativa termina justamente com a frase “Masuaki Kiyota imprimia fotos com a mente”, um aceno à tentativa do autor de “imprimir fotos na mente das pessoas” através de sua obra.

Retorno aos quadrinhos e sono fragmentado

Em meio à escrita, Mutarelli resgatou a paixão pelos quadrinhos, influenciado pela leitura de uma edição recente de Little Nemo, quadrinho centenário sobre os sonhos de um garotinho. Esse contexto dialoga com sua insônia severa: ele dorme apenas 3 a 4 horas por noite, vivendo num estado liminar entre vigília e sono, onde sonho e realidade se misturam.

Luta contra vícios e reflexões sobre o fracasso

A saúde delicada faz com que Lourenço enfrente a luta diária contra o álcool, cujo consumo aumentou durante a pandemia, e mantenha uma relação controlada com o cigarro, fumando cerca de 7 a 8 cigarros por dia. Ele reconhece a própria fragilidade ao dizer “não sou um exemplo, sou uma advertência”. Além disso, rejeita o rótulo de fracassado, mesmo reconhecendo ter dificuldades práticas e financeiras ao longo da carreira, que começou no fim dos anos 1980 e soma hoje mais de 20 obras entre HQs, novelas e peças.

Legado literário e enfrentamento da mortalidade

Os quatro primeiros romances de Mutarelli foram adaptados para o cinema, com destaque para “O Cheiro do Ralo”, que permanece popular quase 20 anos após o lançamento. Apesar do medo da morte, que ainda o acompanha, ele declara amar a vida e valorizar as experiências vividas. Com uma trajetória marcada pela criatividade e resiliência, Lourenço Mutarelli segue criando sob a sombra de seus desafios, imprimindo com a mente, para os leitores, imagens inesquecíveis.

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