A multinacional Unilever, dona de marcas como Cif, Comfort e Omo, protocolou duas denúncias junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e à Secretaria Nacional do Consumidor apontando suspeitas de contaminação microbiológica em produtos da marca Ypê antes mesmo de a agência reguladora determinar a suspensão da fabricação e venda desses itens.
Denúncias feitas em 2025 e 2026
Segundo documentos obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo, a Unilever enviou um primeiro alerta em outubro de 2025 e uma segunda notificação em março deste ano — ambas com base em testes técnicos independentes que identificaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em lotes de Tixan Ypê Express e outros produtos da linha Ypê. Essa bactéria pode representar risco à saúde dos consumidores quando há contato com pele, mucosas ou objetos contaminados.
A multinacional afirmou, em nota, que realiza periodicamente análises técnicas em produtos próprios e, ocasionalmente, em concorrentes, e que notificações às autoridades são feitas com o objetivo de proteger o consumidor quando resultados indicam potenciais riscos.
Acusações de risco e outros microrganismos
Os testes apresentados pela Unilever teriam identificado não apenas a Pseudomonas aeruginosa, mas também traços genéticos de outras bactérias em alguns lotes analisados, como Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii, ambos considerados potencialmente danosos à saúde humana.
Após as denúncias, a Anvisa inspecionou a fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), e constatou diversas irregularidades no controle microbiológico e de qualidade, culminando na suspensão da produção e venda de produtos líquidos da Ypê.
Posicionamento da fabricante Ypê
A Química Amparo, responsável pelos produtos da marca Ypê, contestou as acusações e argumentou que não há regulamentação específica da Anvisa para limites de presença da Pseudomonas aeruginosa em produtos saneantes, diferentemente do que ocorre com cosméticos. A empresa também declarou que conduziu seus próprios testes, que não identificaram microrganismos patogênicos nos itens analisados.
Recomendação da Anvisa
Enquanto a agência ainda avalia recursos apresentados pela fabricante, a Anvisa mantém a recomendação para que consumidores evitem o uso dos produtos Ypê com determinados números de lote, após identificar mais de 100 lotes potencialmente comprometidos e diversas falhas no processo produtivo.
Os testes apresentados pela Unilever teriam identificado não apenas a Pseudomonas aeruginosa, mas também traços genéticos de outras bactérias em alguns lotes analisados, como Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii, ambos considerados potencialmente danosos à saúde humana.
Após as denúncias, a Anvisa inspecionou a fábrica da Química Amparo, em Amparo (SP), e constatou diversas irregularidades no controle microbiológico e de qualidade, culminando na suspensão da produção e venda de produtos líquidos da Ypê.