Ashé Ventures e Todavia apostam na literatura afro-brasileira
A produtora Ashé Ventures, fundada pela atriz Viola Davis, firmou uma parceria inédita com a editora Todavia para impulsionar a literatura afro-brasileira. A iniciativa visa ampliar a visibilidade desses livros, tanto no Brasil quanto internacionalmente, conectando histórias ricas e diversas a novos públicos. Com o apoio da Ashé, obras de raiz afro-brasileira ganham espaço para além do mercado nacional.
Parceria estratégica com foco cultural e comercial
Viola Davis, seu marido Julius Tennon e o empresário brasileiro Maurício Mota formam o trio por trás da Ashé Ventures. O acordo com a Todavia é construído de forma flexível, adaptando-se às características de cada obra. A produtora pode agregar prefácios exclusivos, organizar eventos grandiosos de lançamento ou viabilizar adaptações para outras mídias, quebrando o padrão tradicional do mercado editorial.
Literatura afro-brasileira ultrapassando fronteiras
Um dos grandes diferenciais do projeto é o potencial de internacionalização. A Ashé usa sua rede de contatos para facilitar traduções e novas edições nos Estados Unidos, onde obras estrangeiras normalmente enfrentam barreiras. Assim, a literatura afro-brasileira tem uma chance real de conquistar leitores estrangeiros e ampliar seu impacto cultural.
Lilia Guerra lidera coleção com novo romance
O lançamento inaugural será “Velha Guarda”, romance da paulistana Lilia Guerra, conhecida por obras como “O Céu para os Bastardos” e os contos de “Perifobia”. Previsto para julho, o livro já foi parcialmente traduzido para o inglês pela equipe da Todavia para apresentação à Ashé. Para Davis e Tennon, Guerra representa uma voz única que foge dos padrões tradicionais, valorizando caminhos próprios da escrita.
Outras vozes e temas na coleção Ashé
A parceria trará ainda obras sobre moda com a jornalista Luiza Brasil, um livro de empreendedorismo na periferia assinado pelo escritor Ferréz, crônicas de Triscila Oliveira abordando desigualdade, e a série “Meninas que Voam”, dedicada a atletas brasileiras como Daiane dos Santos. A produtora de Davis já investe também em um filme biográfico da ginasta, fortalecendo o laço entre literatura e outras formas de arte.
Projeto com viés econômico e cultural
Maurício Mota, que tem raízes no mercado editorial e ligação com o Brasil, enfatiza que o projeto não é apenas uma iniciativa de diversidade, mas uma estratégia comercial viable. “Lacrar sem lucrar não adianta”, afirma. Ele destaca que afro-brasilidade movimenta cultura e gera fãs, mostrando que investir nesse segmento é também uma oportunidade real de mercado, com sucesso comprovado pela própria Todavia, que publicou obras consagradas como “Torto Arado”.
Um novo capítulo para autores afro-brasileiros
Com a Ashé Ventures, a literatura afro-brasileira tem um aliado poderoso para romper barreiras e gerar impacto cultural e econômico. A colaboração entre uma produtora americana de alcance global e uma editora brasileira focada em curadoria e qualidade traz esperança de que futuros autores possam viver da criatividade sem abrir mão da identidade. É o início de um movimento que pretende transformar a literatura e a cultura afro-brasileira em força global consolidada.