Dark Horse retrata Bolsonaro como uma figura vulnerável em destaque no cinema brasileiro

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“Dark Horse”: retrato inusitado de Bolsonaro como vítima frágil

O filme “Dark Horse” tenta apresentar Jair Bolsonaro sob uma nova perspectiva, longe da imagem combativa que construiu durante anos. Na trama, ele surge como um azarão — um “underdog” enfrentando forças muito maiores. A narrativa o coloca como um cachorro pequeno lutando contra ursos perigosos, simbolizando as “elites”, o STF e grupos de esquerda supostamente conspirando para o eliminar.

Uma ficção centrada no atentado

O ponto central do filme é a tentativa de assassinato sofrida por Bolsonaro em 2018, apresentada com grande dramatização. Embora confirmando que ele foi esfaqueado, o enredo transforma o ataque em um complô orquestrado por terroristas da esquerda, insinuando ligações indiretas com figuras políticas como Lula. Alexandre de Moraes é retratado numa reunião com esses suspeitos, reforçando a narrativa de conspiração.

Desconstruindo a realidade dos bastidores

Diferente das investigações oficiais da Polícia Federal, “Dark Horse” opta por dramatizar o atentado como um projeto político da esquerda radical. O filme mostra Bolsonaro hospitalizado, lutando para se recuperar e resistir, mas com cenas de discursos forçados e momentos de fragilidade que contrariam relatos da época. A divulgação das imagens hospitalares é usada para reforçar a ideia de uma vítima do sistema, explorando o impacto emocional.

Limpeza da imagem política controversa

Curiosamente, o filme evita qualquer referência a episódios polêmicos que marcaram Bolsonaro antes da eleição. Não há menção ao voto dedicado a um torturador durante o impeachment de Dilma Rousseff, nem às declarações que justificavam a repressão da ditadura militar. A narrativa ignora também posicionamentos violentos do político, buscando construir uma imagem mais “suave” e até conciliadora.

Representatividade e masculinidade na trama

Um dos poucos momentos que toca em temas sociais contemporâneos aparece na figura de um enfermeiro negro e homossexual que reconhece algo positivo no então candidato e decide apoiá-lo. Contudo, o machismo é explícito na relação de Bolsonaro com personagens femininas, reforçando um conceito conservador de masculinidade. No desfecho, uma repórter muda sua visão, simbolizando a conversão à imagem fortificada pelo filme.

Mensagem e estratégia política de marketing

“Dark Horse” mostra um Bolsonaro que, apesar de ter sido eleito com discursos agressivos e gestos simbólicos de força, agora se apresenta como vítima do sistema e do “perigo comunista”. Essa reconfiguração do personagem pode indicar mudança de estratégia, tentando conquistar simpatia por meio da fragilidade e da sobrevivência. Com estreia prevista para setembro, o filme promete polarizar avaliações sobre sua intenção e impacto político.

Conclusão: entre ficção e realidade, um retrato construído

O filme entrega uma versão distorcida da realidade, misturando fatos comprovados com elementos conspiratórios e simbolismos cuidadosamente escolhidos. Enquanto tenta humanizar e suavizar a figura de Bolsonaro, deixa de lado informações essenciais para oferecer um debate honesto sobre o personagem e a política brasileira. “Dark Horse” surge como uma produção instigante, mas que exige leitura crítica para além do entretenimento.

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