Grupos Dissidentes das Farc usam TikTok para recrutar jovens na Colômbia

Aumento do recrutamento através das Redes Sociais preocupa autoridades

Por:Redação

Foto: Imagem do TikTok/Reprodução/Nur Photo/Getty Images Embed

Mesmo após serem banidos da plataforma TikTok, grupos dissidentes das Farc na Colômbia continuam recriando contas para promover seus vídeos. O objetivo é atrair jovens para suas fileiras, aproveitando a ausência de um acordo de paz eficaz entre o governo e essas facções. Segundo uma investigação da BBC, o número de vídeos de recrutamento postados na plataforma tem crescido significativamente.

Na região rural de Cauca, no sul da Colômbia, a influência desses vídeos já é visível nas salas de aula. A professora Lorena (nome fictício) relatou: “Um ou dois começam uma tendência, e ela rapidamente vira moda na sala de aula.” Ela frequentemente encontra alunos se filmando com smartphones, dançando ao som de músicas revolucionárias ou desenhando no quadro símbolos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Em entrevista à BBC, Lorena, que pediu para permanecer anônima, disse que esse comportamento se tornou comum: “Costumava ser mais secreto, agora está completamente normalizado.” A professora destacou que virou moda assistir a esses vídeos no TikTok e que, quando alguns alunos desaparecem, eles acabam aparecendo em vídeos na plataforma, armados e uniformizados como guerrilheiros.

Em 2016, as Farc foram oficialmente desmobilizadas após um acordo de paz com o governo, na época com mais de 20 mil integrantes. No entanto, algumas facções dissidentes ainda permanecem armadas e ativas, especialmente em Cauca. Essas facções, agora sob a proteção do Estado Mayor Central (EMC), têm mais de 3.000 membros.

Embora tenham ocorrido tentativas de negociações entre o governo e as facções do EMC, todas falharam. As autoridades acreditam que essas facções estão aumentando seus contingentes, provavelmente financiadas pelo tráfico de drogas, e controlam vastos territórios rurais.

Com o uso das redes sociais, o recrutamento de jovens, que já era uma prática antiga, aumentou drasticamente. Em 2023, pelo menos 184 membros foram recrutados, conforme dados do Sistema de Alerta Precoce da Defensoria Pública da Colômbia, representado por Ricardo Arias Macias. Neste ano, já foram alistados 156 jovens, a maioria deles de Cauca.

A situação alarmante reforça a necessidade de ações mais eficazes por parte do governo para combater o recrutamento de jovens e encontrar uma solução pacífica e duradoura para o conflito com as facções dissidentes das Farc.

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