Influenciadores usavam produtos ilegais em clínica e falsificavam selos da Anvisa, diz ex-funcionário

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Denúncia de ex-funcionário revela esquema de adulteracão de rótulos para legitimar produtos ilegais. Donos da clínica seguem presos.l

Um ex-funcionário da clínica de estética de Goiânia, pertencente aos influenciadores Paulo César Dias Gonçalves, de 44 anos, e Karine Gouveia, de 34 anos, revelou em depoimento à polícia que os produtos utilizados nos procedimentos eram adquiridos no Paraguai. Segundo ele, os rótulos eram adulterados ao chegarem ao Brasil, com selos falsificados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O depoente relatou que ouviu Paulo César afirmar que iria ao Paraguai para “procurar fornecedores”. De acordo com a polícia, os produtos, incluindo óleo de silicone e toxina botulínica, não possuíam certificação da Anvisa.

A defesa de Paulo César alegou que a clínica utilizava apenas produtos de primeira qualidade e negou qualquer uso de substâncias sem procedência segura. A defesa de Karine Gouveia não se manifestou até o momento.

Funcionário denunciou irregularidades

O ex-funcionário relatou à TV Anhanguera que pediu demissão após perceber que o produto utilizado nos procedimentos não era ácido hialurônico. Ele afirmou que descobriu a irregularidade quando uma seringa estourou, derramando o líquido sobre a ficha de uma paciente, deixando uma mancha oleosa.

“Aí a gente se tocou que não se tratava de ácido hialurônico, e sim de óleo de silicone, porque o ácido hialurônico tem consistência gelatinosa, não oleosa”, explicou.

Diferentemente do ácido hialurônico, o óleo de silicone é proibido para fins estéticos no Brasil. O ex-funcionário afirmou ainda que alertou Paulo César sobre os riscos da substância, incluindo embolia e mortes. Segundo ele, o influenciador não respondeu e apenas demonstrou indiferença.

Histórico do caso

As investigações começaram em abril de 2024, quando a primeira paciente denunciou complicações após um procedimento estético. Outras vítimas relataram necrose e danos severos, com uma delas precisando ser intubada após desenvolver necrose no nariz.

A polícia apurou que os procedimentos eram feitos de maneira inadequada e com substâncias proibidas no Brasil, como óleo de silicone e PMMA. O casal foi preso inicialmente em dezembro de 2024, mas liberado em fevereiro de 2025 por decisão da ministra do Superior Tribunal de Justiça, Daniela Teixeira. Eles foram detidos novamente em 12 de março, após novas acusações.


Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Divulgação/PCGO

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