Medida dos EUA é vista como retaliação política por causa do julgamento de Bolsonaro; Lula critica “tutela” e busca alternativas para conter crise
As tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, anunciadas por Donald Trump em meio ao julgamento de Jair Bolsonaro, colocam o Brasil diante de uma crise comercial com poucas opções de resposta imediata. Apesar disso, analistas apontam que o impacto econômico direto pode ser menor do que se esperava, graças à baixa dependência brasileira do mercado norte-americano.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não aceitará pressões externas e destacou que o Brasil é “um país soberano com instituições independentes”. Embora o governo avalie medidas recíprocas, não está claro quais caminhos concretos poderão ser adotados para conter a escalada.
Com cerca de 12% das exportações brasileiras destinadas aos EUA — menos da metade do que vai para a China —, o Brasil sofre menos que outros países, como o México, que envia 80% de suas exportações ao mercado americano. Ainda assim, setores como o café e o suco de laranja podem ser afetados.
A motivação política por trás da decisão tarifária dificulta uma solução diplomática tradicional. Trump, em carta, acusou o Brasil de perseguir Bolsonaro e atacou a liberdade de expressão de norte-americanos. Lula respondeu com firmeza e pode se beneficiar politicamente ao usar o confronto como ferramenta para fortalecer sua base nacionalista em um momento de queda nas pesquisas.
Segundo especialistas, essa crise poderá, paradoxalmente, fortalecer a imagem de Lula, enquanto expõe os riscos da extrema-direita brasileira se alinhar a figuras internacionais polêmicas.
Por: Lucas Reis
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