Hala Al-Khatib perdeu toda a família após ataque do exército sírio em Sweida; criança será levada ao Líbano para reconstrução facial com médicos brasileiros
Em meio aos horrores da guerra civil síria, a história de Hala Al-Khatib, de apenas 8 anos, se tornou símbolo de resistência e sobrevivência. A menina foi a única sobrevivente de sua família após um ataque do exército sírio em sua casa, na cidade de Sweida, ao sul do país. Hala levou um tiro no rosto e, para escapar da morte, fingiu estar morta.
“Eu senti quando passou a bala e me joguei no chão. Só saí depois que tudo acabou e pedi ajuda”, relatou a criança em entrevista exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no último domingo (27).
O ataque brutal vitimou o pai, a mãe e as duas irmãs de Hala. Desde o fim do regime do ditador Bashar al-Assad, Sweida, que tem maioria da população drusa, tem sido palco de massacres entre diferentes grupos armados que disputam o controle da região.
Hala está sendo acompanhada pelo fotógrafo brasileiro Gabriel Chaim, que registrou sua história e intermediou o contato com a imprensa. Ela deve ser transferida inicialmente para Damasco e, em seguida, levada ao Líbano, onde passará por cirurgias plásticas com médicos brasileiros especializados em reconstrução facial.
A guerra civil na Síria teve início em 2011, com uma revolta contra Bashar al-Assad. Desde então, o conflito evoluiu para uma crise multifacetada, com disputas de fundo étnico, político e religioso. Estima-se que mais de 115 mil pessoas tenham morrido, e somente na recente ofensiva no sul do país, cerca de 90 mil civis foram forçados a deixar suas casas, segundo dados da ONU.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Reprodução/ TV Globo