Nova política de Trump mira exportações brasileiras; Lula afirma que o país não aceitará ser tratado como “republiqueta”
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos sofreram um duro revés nesta quarta-feira (6), com o início da cobrança de uma tarifa extra de 50% sobre parte das exportações brasileiras. A medida afeta mais de um terço dos produtos enviados aos EUA, mas preserva aproximadamente 700 itens, incluindo aeronaves, petróleo e derivados de laranja.
Donald Trump, presidente americano, justificou a nova taxação como parte de sua agenda nacionalista, que busca conter a influência chinesa e proteger empresas locais. Inicialmente, o Brasil havia sido enquadrado na tarifa de 10% — por apresentar superávit em favor dos EUA —, mas a taxa foi elevada após decisões do governo brasileiro e do STF, consideradas hostis por Washington.
No centro da polêmica, o processo judicial contra Jair Bolsonaro e os embates do Supremo com big techs americanas são apontados como os estopins para o chamado “tarifaço”.
Em resposta, o presidente Lula declarou: “Eu não quero desafiar os Estados Unidos, mas o Brasil não pode ser tratado como uma republiqueta”, reforçando a intenção de diversificar o uso de moedas no comércio internacional.
Com impactos diretos sobre o setor exportador, o governo brasileiro prepara um plano emergencial, incluindo apoio financeiro e contratos internos, para amparar empresas afetadas.
O Ministério da Fazenda e o Tesouro americano já iniciaram conversas preliminares, com foco na cooperação envolvendo minerais estratégicos para a indústria de tecnologia. “Temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, disse Haddad.
Enquanto a tensão com os EUA aumenta, a China anunciou a habilitação de 183 empresas brasileiras para exportação de café, fortalecendo o comércio bilateral e oferecendo nova alternativa aos exportadores nacionais.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Divulgação/Porto de Santos