Ex-presidente cumpre prisão domiciliar em Brasília; PF avaliou possibilidade de pedido de asilo a Donald Trump
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o reforço do policiamento na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília. A decisão foi tomada após a Polícia Federal relatar a possibilidade de que o ex-mandatário pudesse tentar se refugiar na Embaixada dos Estados Unidos, localizada a cerca de 10 minutos de sua casa, e dali solicitar asilo político ao governo de Donald Trump.
Segundo Moraes, a hipótese levantada pela PF exigia atenção, já que a Embaixada é considerada extensão do território norte-americano, o que poderia dificultar ou até impedir o cumprimento de decisões judiciais brasileiras sem autorização expressa do governo dos EUA.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 4 de agosto, por decisão de Moraes, após descumprir medidas cautelares impostas anteriormente. No dia 3, ele apareceu em um vídeo publicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu filho, durante manifestações de apoiadores pelo país. Nas imagens, o ex-presidente chegou a se dirigir diretamente a simpatizantes, o que foi entendido como quebra de restrições impostas pelo STF.
Além da prisão domiciliar, Bolsonaro é monitorado por tornozeleira eletrônica desde 17 de julho. Moraes também proibiu visitas, exceto de advogados e pessoas previamente autorizadas pela Corte, e determinou o recolhimento de aparelhos celulares.
A decisão de reforçar a segurança na residência oficializa a preocupação do STF com a movimentação do ex-presidente, em meio às investigações que apuram sua participação em atos antidemocráticos e tentativas de golpe de Estado.
Por: Lucas Reis
Foto: Lula Marques/Agência Brasil