Parlamentares do PT acusam o deputado do PL de espalhar fake news que teriam enfraquecido o combate ao crime organizado; defesa ainda não se manifestou
O deputado federal Rogério Correia (PT), vice-líder do governo Lula na Câmara, protocolou nesta quinta-feira (28) uma notícia de fato na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o parlamentar Nikolas Ferreira (PL). Ele pede que seja aberta investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a divulgação de informações falsas a respeito do sistema financeiro.
A representação se baseia em um vídeo publicado por Nikolas, que viralizou e ultrapassou 300 milhões de visualizações. Na gravação, o deputado afirmava que o governo Lula monitoraria transações de cartão de crédito e PIX acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para empresas. O conteúdo foi divulgado a partir de uma norma da Receita Federal — já revogada — que previa a comunicação de operações eletrônicas acima desse valor.
Segundo Correia, a publicação teria contribuído para enfraquecer a fiscalização sobre movimentações financeiras e favorecido indiretamente organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele cita a Operação Carbono Oculto, que revelou a atuação da facção em esquemas de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Pedido de investigação por quatro crimes
O documento protocolado na PGR solicita apuração de quatro possíveis crimes: divulgação de informações falsas sobre instituições financeiras, favorecimento indireto à lavagem de dinheiro, obstrução de investigações contra organizações criminosas e até associação ao tráfico de drogas.
“Essa foi a maior operação da história contra o crime organizado. O PCC mostrou ter infiltração no sistema financeiro, e a disseminação de desinformação por um parlamentar coloca em risco os mecanismos de fiscalização do Estado”, afirmou Rogério Correia.
Duda Salabert reforça denúncia
A deputada Duda Salabert (PDT) também acionou a PGR e enviou representação ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Para ela, é necessário investigar se houve interferência política ou de agentes privados na produção de fake news que resultaram na revogação da medida da Receita.
Duda destacou declaração da subsecretária do órgão, Andrea Costa Chaves, segundo a qual as fintechs ficaram “fora do alcance da Receita” após a decisão, reduzindo a capacidade de monitorar operações ilícitas.
Receita Federal fala em “maior ataque de fake news”
Na mesma quinta-feira, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, evitou citar nomes, mas afirmou que fake news enfraqueceram a fiscalização de fintechs e influenciaram a revogação da instrução normativa.
“A Receita Federal sofreu o maior ataque de sua história, com mentiras dizendo que havia tributação sobre o PIX. Essas notícias falsas foram tão fortes que tivemos de recuar. Agora vemos quem saiu ganhando com elas”, declarou Barreirinhas, durante coletiva sobre a Operação Carbono Oculto
Por: Lucas Reis
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