Especialistas apontam que deputado reforça violência simbólica ao usar tema sensível em tom de humor e autopromoção
O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Bruno Peixoto (UB), enfrenta forte repercussão negativa após publicar um vídeo em que simula um interrogatório semelhante a uma cena de tortura. A gravação, que tinha como objetivo divulgar uma banca de concurso, dividiu opiniões e provocou críticas de internautas e especialistas em segurança pública e direitos humanos.
Nas redes sociais, muitos consideraram a encenação de extremo mau gosto. “Vídeo de extremo mau gosto!”, escreveu uma mulher. Outro jovem classificou a atitude como “sádica”. Já uma internauta ressaltou que o gesto foi um “sensacionalismo dispensável” para fins de engajamento.
Cássio Thyone, membro do Conselho do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou em entrevista à TV Anhanguera que a escolha do tema foi “de extrema infelicidade”. Para ele, recorrer à violência, mesmo em tom humorístico, acaba reforçando uma realidade já marcada por altos índices de brutalidade no Brasil.
O advogado da Educafro, Márlon Reis, também criticou a postura do parlamentar. Segundo ele, “não há como tolerar ou aceitar que uma autoridade pública faça uso de algo tão terrível em busca de likes”. O especialista lembrou ainda que a tortura permanece como prática recorrente, tanto em ambientes públicos quanto privados, o que torna a encenação ainda mais problemática.
A polêmica surge em um momento em que Bruno Peixoto busca reforçar sua imagem política após ter sido o deputado estadual mais votado em Goiás. Entretanto, a repercussão do vídeo reacende debates sobre responsabilidade pública e os limites entre humor, comunicação política e apologia à violên
Por Lucas Reis
Foto: Reprodução/Instagram de Bruno Peixoto
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