Por: Sidney Araujo
Foto Destaque: Reprodução/Polícia Civil
Um caso com várias camadas inacreditáveis aconteceu nesta segunda (01/09), em Recife, em Pernambuco. Uma criança de 2 anos morreu após ter sofrido uma convulsão e os pais não socorreram a criança, de acordo com o Conselho Tutelar. Para piorar a situação, o corpo do menino passou o dia inteiro em um sofá e os pais, que estavam em casa, não fizeram nada.
E como a história não poderia ficar ainda mais bizarra, o pai e a mãe dos menos são irmãos de sangue e mantém um relacionamento incestuoso. De acordo com a polícia, o menino morreu no domingo (31), mas o corpo só foi descoberto no dia seguinte, por um vizinho que chamou as autoridades.
Os irmãos não foram presos pela omissão de socorro e ainda têm uma filha de 9 meses, que foi acolhida pelo Conselho Tutelar. De acordo com a polícia, os pais das crianças têm 18 e 24 anos, mas os nomes não foram divulgados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Em entrevista ao G1, a conselheira tutelar Claudia Roberta contou que os país confessaram que a criança morreu após uma convulsão. Porém, o casal, que mora próxima a uma UPA, não tentou socorrer o filho.
“O menino convulsionou, eles não sabiam o que fazer, tentaram reanimar, mas não conseguiram. Aí eu perguntei: ‘Chamaram socorro, chamaram Samu, levaram para UPA?’ Não. Mas também não falaram mais nada. Saíram [de casa], voltaram e o menino no sofá”, contou a conselheira tutelar
Vizinhos queriam linchar casal de irmãos em Recife
Ainda segundo reportagem do G1, vizinhos já teriam contados que o casal negligenciava o cuidado com os filhos e que a criança que morreu já havia sido acolhida pelo Conselho Tutelar de Olinda. Porém, um juiz resolveu devolver a criança aos pais após uma última audiência.
“Quando a gente entrou, a população toda estava lá. Muita gente. Foi nítida a negligência que os vizinhos informaram que esses pais faziam com as crianças. [Os pais] estavam sentados, porque tinha muita polícia, porque queriam linchar eles no local”, contou a conselheira Claudia Roberta.
Em uma nota, a Polícia Civil afirmou que o caso foi registrado pela Equipe de Força-Tarefa de Homicídios Metropolitana Norte como “morte a esclarecer, sem indício de crime”. Eles foram ouvidos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, mas não foram presos.
A bebê de 9 meses foi resgatada e não apresentava sinais de maus-tratos. De acordo com a conselheira tutelar, caso os avós queiram assumir os cuidados da menina, será necessária decisão judicial.
Vale destacar que o incesto não é tipificado como crime no Brasil. Porém, a prática é fortemente condenada pela medicina, já que há riscos de desenvolvimento de má formação congênita. Os pais das crianças não são casados, já que no Brasil o casamento incestuoso não legalizado.