STF condena Bolsonaro por tentativa de golpe repercute na imprensa internacional

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Veículos de diferentes países destacam decisão inédita da Suprema Corte e possíveis penas que podem ultrapassar 30 anos de prisão

A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de sete de seus principais aliados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) gerou ampla repercussão na imprensa internacional nesta quinta-feira (11). Por quatro votos a um, a Primeira Turma da Corte decidiu responsabilizar o grupo por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado e à abolição violenta do Estado Democrático de Direito, em um julgamento considerado histórico.

O voto decisivo foi da ministra Cármen Lúcia, que se somou aos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin para formar maioria. O único a divergir foi o ministro Luiz Fux, que absolveu Bolsonaro e parte dos réus de todas as acusações, mas defendeu a condenação de Mauro Cid e Braga Netto por um dos crimes.

A imprensa estrangeira deu destaque imediato ao caso. O jornal norte-americano The New York Times estampou em sua página principal que “o ex-presidente brasileiro foi considerado culpado de tentar se manter no poder após a derrota eleitoral de 2022”. Já o britânico The Guardian escreveu que Bolsonaro enfrenta penas que podem chegar a décadas de prisão por conspirar para um golpe militar.

Na França, o Le Monde destacou que Bolsonaro foi apontado como líder de uma “organização criminosa” que buscava sua manutenção autoritária no poder. O Washington Post também deu espaço de capa ao julgamento, enquanto o espanhol El País classificou a decisão como um “passo transcendental contra a impunidade no Brasil”.

Na América Latina, o argentino Clarín ressaltou que Bolsonaro pode enfrentar mais de 40 anos de prisão, e o jornal Página 12 reforçou a gravidade das acusações. A cobertura ainda se espalhou por agências internacionais como Reuters, Wall Street Journal e pela rede árabe Al-Jazeera.

Além de Bolsonaro, também foram condenados Alexandre Ramagem, Augusto Heleno, Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres, Mauro Cid e Almir Garnier. Eles respondem por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, dano ao patrimônio público e grave ameaça.

O tempo exato das penas ainda será definido na fase de dosimetria, mas a expectativa é que as condenações possam chegar a até 30 anos de prisão em regime fechado. O julgamento prossegue nos próximos dias, consolidando um dos capítulos mais marcantes da história recente do Judiciário brasileiro.


Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

 

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