Mais de mil policiais atuaram na força-tarefa que já prendeu 17 pessoas; autoridades denunciam crueldade no tratamento dos bichos
O tráfico de animais silvestres sofreu um duro golpe nesta terça-feira (16), quando a Polícia Civil do Rio de Janeiro lançou a Operação São Francisco. Classificada pela corporação como “a maior operação da história do Brasil de combate ao tráfico de animais silvestres, armas e munições”, a ação mobilizou cerca de mil agentes em três estados.
Até o momento, 17 suspeitos foram presos e dezenas de animais, entre eles macacos, foram resgatados. Entre os investigados está o ex-deputado estadual TH Joias, que teria comprado quatro primatas de forma ilegal. Na comunidade da Mangueira, na Zona Norte carioca, policiais enfrentaram resistência e chegaram a ser recebidos a tiros.
O delegado André Prates detalhou a amplitude da investigação: “nós identificamos 145 autores e conseguimos, junto à Justiça, através de uma longa e complexa investigação, 45 mandados de prisão preventiva, todos por organização criminosa”.
De acordo com a apuração, havia um grupo especializado em caçar e dopar primatas retirados de áreas de preservação, como a Floresta da Tijuca e o Horto, para depois vendê-los em feiras clandestinas. Bernardo Rossi, secretário de Meio Ambiente do estado, foi categórico: apenas um dos presos “comercializou mais de 45 mil espécimes”. “É o corredor da morte dos nossos animais silvestres. A crueldade é enorme”, lamentou.
Os bichos resgatados foram levados para a Cidade da Polícia, onde recebem cuidados veterinários e avaliações periciais. A expectativa é que, após a recuperação, sejam encaminhados para centros de triagem e, quando possível, devolvidos ao seu habitat natural.
A operação também expôs a conexão do tráfico de fauna com outros crimes, incluindo o comércio ilegal de armas e até vínculos com o tráfico de drogas.
Por: Redação via g1
Foto: Reprodução/TV Globo