(Forças da Segurança Nacional estão nas ruas. Foto: Getty Images)

Exclusivo: médico conta detalhes sobre guerra civil que vive o Equador

Por: Sidney Araujo 

Foto Destaque: Reprodução

O Equador vem vivendo uma grave crise de segurança pública nos últimos dois dias. A fuga da prisão de Adolfo Macías, conhecido como Fito, acarretou numa série de atentados terroristas, com explosões, sequestro de policiais e outros atos ao longo do território nacional. Ao todo, sete policiais já foram sequestrados. Fito é o líder da facção Los Choneros, considerada uma das mais perigosas organizações criminosas do país.

Além dele, Fabricio Colón Pico, que é um dos líderes de Los Lobos e que foi preso pelo crime de sequestro e por supostamente ter planejado uma ação para assassinar a procuradora-geral do país, também conseguiu fugir nesta terça. O Ministério Público acusa funcionários do presídio de estarem facilitando as fugas.

Por conta do aumento da violência, o presidente Daniel Noboa declarou, nesta terça (09/01), o Estado de Conflito Armado Interno. Com essa medida, as Forças Armadas foram enviadas para às ruas a fim de neutralizar os mais de 20 grupos criminosos que estão sendo reconhecidos como organizações terroristas. Na prática, Noboa assumiu que o país entrou em um momento de guerra civil.


(Declaração de estado de “Conflito Armado Interno” pelo presidente Daniel Noboa. Reprodução/X)


Médico relata o medo vivido pelos equatorianos 

Em conversa com o Portal Democrata, o médico equatoriano patologista Ricardo Yoncón, de 35 anos, contou como está sendo viver em meio aos conflitos que se instauraram no país. De acordo com ele, todas as atividades foram paralisadas nesta terça, com escolas, instituições públicas e lojas completamente fechadas.

“Lá em Guayaquil a situação está bem pior. Até ontem (segunda) a gente fazia as atividades normalmente, mas a partir de hoje já não é possível viver normalmente. Não há nenhuma perspectiva de melhora. O problema é muito complexo e tem a ver com máfias mexicanas e albanesas que estão instauradas dentro do país”

Segundo Ricardo, o governo acenou com um toque de recolher a partir das 23 horas (pelo horário local) avisando que os moradores devem ficar em suas casas. Devido aos acontecimentos, todos estão impossibilitados de ir ao mercado, shopping e andar livremente pelas ruas. Além disso, cidades como Durán, Quevedo, Santo Domingo, Esmeraldas, Guayaquil e Quito estão sendo consideradas as mais perigosas.


(Forças da Segurança Nacional estão nas ruas. Foto: Marcos Pin/AFP. Via: Getty Images)

Morador da cidade de Manta, localizada na costa leste central do país, Ricardo Yoncón conta que a situação vem piorando nos últimos anos, principalmente a partir de 2021. De lá para cá, os homicídios vem crescendo quase que em 800%, com 46 assassinatos por 100 mil habitantes – o que é considerado um número alto pelas organizações internacionais. Para o médico, os últimos presidentes são os grandes culpados pela instabilidade da segurança pública do Equador.

“Não é de agora que as coisas estão piorando. Tudo estava ruim com o governo de Rafael Correa, que deu visibilidade e poder aos criminosos. Ele modificou as leis para beneficiar o criminoso, deixando os equatorianos indefesos. Mas tudo explodiu a partir de 2021, no governo de Lenín Moreno. Mais de 250 pessoas foram assassinadas na Penitenciária do Litoral. Logo depois, no governo de Guillermo Lasso, não aconteceu nada para impedir” 

Na conversa, Ricardo confessou que há amigos próximos ao seu ciclo social que já estão pensando em deixar o país devido ao crescimento da violência que, segundo ele, não deve acabar de forma tão rápida e talvez precise de uma intervenção internacional.

“Não acredito que as forças policiais têm o treinamento necessário, infelizmente. Eu sinto que é muito fácil para as máfias comprarem políticos, policiais e militares. Se o presidente não assumir a responsabilidade, as coisas só irão piorar”

Universidades, hospitais e até um canal de televisão foram atingidos pela violência 

O Ministério da Educação do Equador já decretou que o sistema educacional em todo território nacional irá funcionar apenas de maneira remota até o dia 12 de janeiro, mas há chances disso se estender por mais dias.

Nesta terça-feira (09), homens armados e com os rostos cobertos invadiram os estúdios do canal de TV estatal TC Televisíon, em Guayaquil. Após a invasão, os criminosos renderam os jornalistas, agrediram pessoas, deixaram dinamites em diversos locais e chegaram a disparar para assustar as vítimas.

Cerca de duas horas depois, a Polícia Nacional do Equador informou, por meio de suas redes sociais, que havia controlado a situação e prendido 13 pessoas responsáveis pela invasão. Ninguém se feriu.

Em um hospital, um grupo uniformizado acabou roubando médicos e pacientes no hospital Teodoro Maldonado Carbo, mas a polícia conseguiu evitar que sequestros acontecessem – informações do jornal El Universo.


(Criminosos invadiram sede de rede de televisão no Equador. Reprodução/X)


 

 

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