Caso motivado por acusações de Sergio Moro ganha novo capítulo após procuradoria citar mensagens que podem indicar tentativas de interferência.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF), na quarta-feira (15), a reabertura do inquérito que investiga supostas interferências do ex-presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. O pedido, encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes pelo procurador-geral Paulo Gonet, argumenta ser necessária a realização de diligências complementares para esclarecer pontos ainda pendentes.
As suspeitas surgiram em 2020, quando o então ministro da Justiça Sergio Moro denunciou pressões e demissões no comando da PF — inclusive a saída de Maurício Valeixo. Na sequência, o STF autorizou investigação, mas a Polícia Federal concluiu, em 2022, que não havia indícios de crime, o que levou ao arquivamento do caso naquele ano.
Agora, a PGR sustenta haver novos elementos que justificam reexaminar o processo, citando especificamente mensagens trocadas entre Moro e Bolsonaro. Uma das conversas traz uma reportagem sobre suposto monitoramento de deputados bolsonaristas e um comentário do ex-presidente: “Mais um motivo para a troca.” Para Gonet, é fundamental verificar se essas comunicações refletem ações práticas de interferência institucional, inclusive no acesso a dados sensíveis.
A eventual reabertura do inquérito pode resultar em novas medidas investigativas — desde pedidos de informação a órgãos públicos até oitivas de testemunhas — e reacender a discussão sobre a independência da Polícia Federal frente ao Executivo. O episódio também deve gerar repercussão política, já que toca em temas caros ao funcionamento do Estado democrático e à responsabilidade de agentes públicos.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil