STJ anulou a condenação de Francisco Mairlon, que passou quase metade da vida na cadeia; ele foi absolvido por unanimidade após revisão do processo.
Depois de 15 anos atrás das grades, Francisco Mairlon deixou a prisão nesta quarta-feira (15) com uma mistura de alívio e incredulidade. Condenado em 2010 como um dos executores do “Crime da 113 Sul” — o assassinato do ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, da esposa Maria Villela e da empregada Francisca da Silva —, ele teve a sentença anulada por unanimidade pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O caso voltou a ser analisado após recurso da ONG Innocence Project, que apontou falhas graves no processo: a condenação de Mairlon teria se baseado apenas em depoimentos feitos na delegacia, sem confirmação diante de um juiz. A defesa também sustentou que ele sofreu tortura e pressão durante as investigações, e que um dos envolvidos mudou sua versão inocentando o réu.
Ao sair da prisão, Mairlon, hoje com 37 anos, lembrou o tempo perdido. “Eu estava preso quando meu filho nasceu. Só o vi uma vez. Quantas coisas eu perdi?”, desabafou. Aos 22 anos, ele sonhava em ser pai e reconstruir a vida ao lado da companheira — o casamento terminou durante o período em que esteve detido. “Tentei mostrar força lá dentro para que minha família seguisse firme, acreditando que um dia eu sairia”, disse emocionado.
A decisão do STJ anulou todas as condenações e devolveu a liberdade a Mairlon. O Ministério Público, porém, informou que vai recorrer, buscando restabelecer a decisão anterior do Tribunal do Júri. Para o ex-presidiário, o momento é de recomeço: “Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Agora quero viver, e viver em paz.”
Por: Lucas Reis
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução