Ex-presidente argumenta falta de tempo para análise de provas e aponta contradições na delação de Mauro Cid
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou nesta segunda-feira (27) um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a revisão da condenação por tentativa de golpe de Estado. O documento foi protocolado antes do fim do prazo estabelecido para os oito réus do chamado “núcleo principal” do processo.
Os advogados afirmam que o julgamento foi marcado por falhas processuais, como a negativa de adiamento e a análise insuficiente das provas. Também questionam a validade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, apontando contradições nos depoimentos que basearam parte da decisão.
No recurso, a defesa solicita a unificação dos crimes de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, alegando que ambos tratam dos mesmos fatos. Além disso, pede a correção de supostos erros na definição da pena, considerada excessiva.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, a maior pena entre os réus. Outros ex-ministros e militares, como Braga Netto, Augusto Heleno e Anderson Torres, também receberam longas sentenças. O julgamento dos recursos caberá à Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros, incluindo o relator Alexandre de Moraes.
Se o recurso for rejeitado, a condenação de Bolsonaro poderá ser considerada definitiva, abrindo caminho para o início do cumprimento da pena.
Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Destaque / STF