Rapper critica ação policial que deixou 64 mortos e questiona a violência nas favelas cariocas
O rapper Oruam, de 25 anos, utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (28) para se pronunciar sobre a megaoperação policial realizada nas comunidades da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que terminou com 64 mortos e 81 prisões. A ação, batizada de Operação Contenção, teve como objetivo frear a expansão do Comando Vermelho (CV), mas gerou forte repercussão por conta da quantidade de vítimas.
Em seu perfil no Instagram, o artista classificou a operação como uma “chacina” e demonstrou indignação com o cenário de violência nas favelas. “Minha alma sangra quando a favela chora, porque a favela também tem família. Se tirar o fuzil da mão, existe o ser humano”, escreveu.
Mais tarde, Oruam voltou a comentar o assunto no X (antigo Twitter), reforçando as críticas à ação policial. “O crime é o reflexo da sociedade. A favela sofre há décadas e segue sendo tratada como campo de guerra. A caneta mata mais do que o fuzil”, afirmou o cantor.
A Operação Contenção foi conduzida pelas polícias Civil e Militar e resultou também na apreensão de 32 fuzis. De acordo com as autoridades, o foco era impedir o avanço territorial da facção criminosa em áreas dominadas pelo tráfico.
Oruam, que foi preso em julho e respondia por crimes como tráfico, associação ao tráfico e resistência, teve sua prisão revogada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no final de setembro. Em liberdade, o artista tem se posicionado publicamente contra a violência nas comunidades e em defesa da população das favelas.
Por: Lucas Reis
Foto: Reprodução Redes Sociais