Governo busca reaproximação com líderes da Câmara e do Senado para avançar em projetos estratégicos nas próximas semanas
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou movimentos nos bastidores para reduzir o mal-estar provocado nas últimas semanas entre o Palácio do Planalto e as cúpulas da Câmara e do Senado. A estratégia, segundo auxiliares do presidente, é estabilizar a relação política e garantir a votação de matérias consideradas essenciais antes do recesso parlamentar, que começa em 23 de dezembro.
A maior turbulência se concentrou no Senado, após Lula formalizar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha contrariou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que articulava a ida do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) à Corte. O descontentamento de Alcolumbre ficou evidente na derrubada de vetos da Lei de Licenciamento Ambiental e na chamada “pauta-bomba” aprovada no plenário.
Na Câmara, a tensão também cresceu após o rompimento entre o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), e o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). As críticas públicas feitas por Lindbergh atingiram o ápice durante a tramitação do PL Antifacção, ampliando o distanciamento entre governo e Mesa Diretora.
Apesar disso, interlocutores do Planalto avaliam que o momento mais agudo da crise já passou. Na quarta-feira (26/11), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reuniu-se com Motta e apresentou uma lista de projetos prioritários que o Executivo pretende ver avançar antes do encerramento das atividades legislativas.
Pautas que o Planalto quer votar ainda em 2025
Entre as prioridades definidas pelo governo estão:
PEC da Segurança Pública, aposta central para melhorar a avaliação do governo no setor
Projeto sobre devedor contumaz, que ganhou força após operação da Receita contra o Grupo Refit
Proposta que reduz gradualmente benefícios tributários e financeiros, alinhada às diretrizes fiscais
LDO e LOA de 2026, necessárias para o encaminhamento do Orçamento do próximo ano
O encontro com Motta surtiu efeitos imediatos. No dia seguinte, pressionado, o presidente da Câmara designou Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP) como relator do projeto do devedor contumaz — iniciativa que o governo tenta aprovar desde 2023.
Na sexta-feira (28/11), Motta afirmou que a PEC da Segurança terá andamento na Casa. O relator, Mendonça Filho (União-PE), apresentará seu parecer no próximo dia 4 de dezembro, na comissão especial.
Buscando recuperar protagonismo após o desgaste causado pela aprovação da PEC da Blindagem, Motta reforçou que “a segurança é prioridade” para a Câmara.
Recomposição no Senado
No Senado, o governo também tenta desarmar a crise. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (AP), elogiou a postura de Davi Alcolumbre ao conduzir a sessão de vetos e destacou que havia um acordo prévio com os parlamentares sobre os itens analisados.
Randolfe minimizou o atrito entre Lula e o presidente do Senado:
> “Tenho certeza de que Lula e Davi conversarão no momento adequado. Não há controvérsia que não possa ser resolvida. O presidente Davi sempre apoiou o governo desde antes da posse, e essa situação será superada assim que houver diálogo direto.”
Com o clima político ainda sensível, o Planalto trabalha para que a relação volte ao equilíbrio e as votações ganhem ritmo nas próximas semanas — condição que o governo considera essencial para iniciar 2026 com menor desgaste e agenda legislativa minimamente organizada.
Por: Manuel Messias
Foto: Pedro França/Agência Senado e Pablo Valadares/Câmara dos Deputados