Com juros elevados e alternativas mais rentáveis, caderneta fecha 2025 com mais saques do que depósitos pelo quinto ano consecutivo
A caderneta de poupança encerrou 2025 registrando mais um desempenho negativo, com os saques superando os depósitos pelo quinto ano seguido. Dados do Banco Central mostram que entraram R$ 4,27 trilhões na modalidade ao longo do ano, enquanto as retiradas somaram R$ 4,36 trilhões, resultando em um saldo negativo de R$ 85,6 bilhões.
O resultado reforça a tendência de perda de atratividade da poupança em um cenário de juros elevados. Com a taxa básica em patamar alto, investimentos de renda fixa como Tesouro Direto, CDBs e fundos conservadores passaram a oferecer melhor rentabilidade, com risco semelhante e liquidez diária, atraindo até investidores tradicionalmente conservadores.
Especialistas também apontam que a saída de recursos não se deve apenas à busca por melhores aplicações. A pressão no orçamento das famílias, provocada pela inflação e pelo aumento do custo de vida, levou muitos brasileiros a recorrerem à poupança para cobrir despesas correntes, ampliando o volume de saques ao longo do ano.
Apesar do saldo negativo no acumulado de 2025, a poupança apresentou um sinal positivo em dezembro, mês que historicamente registra entrada líquida de recursos por causa do pagamento de gratificações. Além disso, pelo quarto ano consecutivo, o rendimento da caderneta superou a inflação, mantendo sua função básica de preservar o poder de compra, ainda que distante de ser a principal escolha de investimento.
Por: Lucas Reis
Foto: Marcello Casal Jr. | Agência Brasil