Foto Ricardo Stuckert/Agência Brasil

Rombo fiscal em 2026 deve passar de R$ 22 bilhões. Será o quarto consecutivo

Estimativa oficial aponta resultado negativo de R$ 22,9 bilhões, com impacto direto das regras do arcabouço fiscal

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve registrar, em 2026, o quarto déficit público consecutivo, segundo projeções divulgadas pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. A estimativa aponta um rombo de R$ 22,91 bilhões, equivalente a 0,17% do Produto Interno Bruto (PIB), o menor resultado negativo previsto durante o atual mandato.

Os números constam do relatório “Balanço Macrofiscal de 2025 e Perspectivas para 2026”, apresentado nesta sexta-feira (6). Apesar do déficit projetado, o resultado pode ser revertido para superávit a depender dos critérios considerados no cálculo da meta fiscal.

De acordo com o documento, a exclusão de R$ 57,83 bilhões em precatórios, além de despesas temporárias nas áreas de educação, saúde e projetos do Ministério da Defesa, transforma o resultado em um superávit de R$ 34,54 bilhões, o equivalente a 0,25% do PIB.

O governo também projeta um impulso fiscal positivo de 0,6 ponto percentual em 2026, indicando que o aumento dos gastos públicos deve contribuir para a atividade econômica no próximo ano. A avaliação oficial é de que a política fiscal terá papel relevante na sustentação do crescimento.

Para analistas do mercado, no entanto, a estratégia gera preocupações. O economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, afirma que o impulso fiscal resulta da flexibilização das regras do arcabouço, com a retirada de despesas do cálculo do resultado primário. Segundo ele, esse modelo pressiona a percepção de risco e contribui para a manutenção de juros elevados.

Atualmente, a dívida pública brasileira corresponde a 78,7% do PIB. Para 2026, a previsão do Ministério da Fazenda é que esse índice suba para 83,6%, com trajetória de alta até atingir 88,6% em 2032. A partir daí, a projeção é de estabilização e leve recuo, alcançando 88% do PIB em 2035.


Pôr: Genivaldo Coimbra

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