Cardiologista explica fatores de risco, sinais de alerta e desmistifica a ideia de que o infarto atinge apenas idosos
A morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de um infarto, voltou a chamar a atenção para um tema que preocupa médicos e especialistas: o aumento de casos de infarto em pessoas relativamente jovens. Mesmo após a confirmação da causa pela perícia, o episódio gerou dúvidas e debates nas redes sociais sobre prevenção e sinais do coração.
Segundo o cardiologista Augusto Vilela, CEO do Instituto do Coração de Fortaleza (CE) e representante do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Ceará, o infarto não é uma doença que surge de forma repentina. Ele é consequência de um processo silencioso chamado aterosclerose, que pode começar ainda na juventude.
De acordo com o especialista, fatores como estresse crônico, alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e o crescimento dos índices de obesidade aceleram esse processo. “O que mudou não foi a doença, mas o estilo de vida das pessoas”, explica.
Aparência saudável não significa coração saudável
O caso de Maderite também reforça um alerta importante: aparência física não reflete, necessariamente, saúde cardiovascular. Muitas pessoas convivem com colesterol alto, hipertensão ou inflamações vasculares sem apresentar sintomas visíveis. O coração, segundo o médico, costuma “avisar” apenas quando o problema já está em estágio avançado.
Embora existam casos de infarto silencioso, a maioria apresenta sinais prévios, como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea e dor irradiando para o braço esquerdo, costas ou mandíbula. Em pessoas mais jovens, esses sintomas são frequentemente confundidos com ansiedade, estresse ou problemas gástricos, o que pode atrasar o atendimento.
Prevenção ainda é a melhor estratégia
O cardiologista reforça que check-ups regulares são fundamentais, mesmo para quem se sente bem. Pessoas com histórico familiar de infarto precoce, pressão alta, diabetes, colesterol elevado, obesidade, tabagismo ou estresse intenso devem redobrar a atenção.
Outro ponto que ganhou destaque nas redes sociais foi o chamado “sinal de Frank”, um vinco diagonal no lóbulo da orelha. Embora não seja um diagnóstico, estudos indicam que o sinal pode estar associado a maior risco de doença coronariana e deve servir como alerta para investigação médica.
Para os especialistas, o principal recado é claro: dor no peito nunca deve ser normalizada. Na dúvida, procurar atendimento médico imediato pode salvar vidas.
Por: Lucas Reis