Primeira-dama acompanhou o desfile da Acadêmicos de Niterói do camarote; Lula desceu à pista e beijou o pavilhão da escola
Em meio a críticas públicas e recomendações de órgãos de controle, a primeira-dama Janja da Silva desistiu de desfilar na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, durante a apresentação da Acadêmicos de Niterói, que levou à avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Inicialmente cotada para participar em um dos carros alegóricos, Janja acabou sendo substituída pela cantora Fafá de Belém. A primeira-dama optou por assistir ao desfile do camarote, ao lado do presidente, evitando ampliar a controvérsia que cercou a presença de integrantes do governo nos festejos carnavalescos.
Durante a apresentação, Lula chegou a descer até o segundo recuo da bateria para acompanhar de perto a comissão de frente. Em um gesto simbólico, beijou o pavilhão da escola, sendo cumprimentado por integrantes da agremiação, o que também gerou repercussão nas redes sociais.
Recomendações e análise eleitoral
Na semana anterior ao desfile, a Advocacia-Geral da União e a Comissão de Ética Pública da Presidência haviam emitido recomendações para que autoridades evitassem participação direta nos desfiles, a fim de prevenir questionamentos legais. Embora Janja não ocupe cargo público, a orientação ampliou o debate sobre a conveniência de sua presença na avenida.
Agora, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral avaliar se houve ou não configuração de propaganda eleitoral antecipada no contexto do desfile. Na semana passada, a Corte rejeitou um pedido de liminar apresentado pelo Partido Novo, que solicitava a suspensão da apresentação.
Ao negar a medida, os ministros entenderam que impedir o desfile poderia caracterizar censura prévia a uma manifestação artística. Na ocasião, a presidente do TSE, Cármen Lúcia, alertou que o ambiente carnavalesco é “propício a excessos”, comparando a situação a uma “areia movediça”, na qual quem entra sabe dos riscos envolvidos.
A decisão de Janja de não desfilar foi interpretada, por aliados e críticos, como uma tentativa de reduzir desgastes políticos em um momento de atenção redobrada às regras eleitorais.
Por: Genivaldo Coimbra