Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

CNE deve votar regras para uso de inteligência artificial nas escolas e universidades em março

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Parecer em debate prevê supervisão obrigatória de professores e proíbe correção automatizada de textos dissertativos

A comissão do Conselho Nacional de Educação (CNE) responsável por discutir regras para o uso de inteligência artificial (IA) na educação básica e no ensino superior deve votar o parecer final no próximo dia 16 de março.

Uma versão inicial do texto começou a ser debatida nesta segunda-feira (23), mas o Ministério da Educação solicitou ajustes antes da deliberação final. O documento é resultado de um ano e meio de discussões envolvendo especialistas, representantes do MEC e a UNESCO.

Após a votação na comissão, o texto seguirá para consulta pública e, posteriormente, para análise no plenário do CNE. Se aprovado, será encaminhado para homologação do ministro da Educação.

O que prevê o parecer

O relatório estabelece que o uso pedagógico da IA deve ter finalidade educacional explícita e ocorrer sempre sob supervisão de profissionais da educação. A atuação pedagógica totalmente automatizada fica proibida.

Entre os principais pontos do texto estão:

A inclusão da IA no currículo escolar de forma transversal e interdisciplinar;

A obrigatoriedade de formação docente com foco em competências técnicas e críticas para o uso pedagógico da tecnologia;

A permissão do uso de IA para apoio em correções objetivas, desde que a decisão final e a análise qualitativa sejam feitas pelo professor;

A proibição da correção automatizada de avaliações dissertativas ou formativas.

Além disso, as redes de ensino deverão promover o letramento digital, abordando riscos, benefícios, princípios éticos e o funcionamento básico dos modelos de inteligência artificial.

Formação de professores em foco

O texto também dá atenção especial aos cursos de licenciatura e demais formações voltadas à docência. A proposta determina que a presença da IA nesses cursos contemple fundamentos para uso crítico e ético da tecnologia, análise de dados educacionais, avaliação mediada por ferramentas digitais e preparação para atuação em ambientes híbridos.

A expectativa é que a regulamentação ofereça diretrizes nacionais para equilibrar inovação e responsabilidade no uso da inteligência artificial nas salas de aula.


Por: Lucas Reis

 

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