Equipe econômica negocia com bancos um modelo mais restrito de renegociação diante da Selic elevada e da inadimplência em alta
O avanço do endividamento das famílias brasileiras voltou ao centro das discussões do governo federal. Integrantes da equipe econômica abriram diálogo com instituições financeiras para desenhar um novo programa de renegociação de dívidas, nos moldes do Desenrola Brasil, porém mais focalizado e restritivo.
Dados recentes do Banco Central do Brasil indicam que o endividamento já alcança cerca de 49,7% da renda das famílias, próximo do recorde histórico. Ao mesmo tempo, o comprometimento mensal com dívidas gira em torno de 30%, pressionado pelo patamar elevado da Taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano.
Nos bastidores, a proposta vem sendo chamada de “Desenrola 2.0”. A ideia central é concentrar a renegociação nas linhas de crédito sem garantia, como cartão de crédito rotativo, cheque especial e crédito pessoal — modalidades que reúnem os juros mais altos e os maiores índices de inadimplência.
A avaliação do governo é que essas dívidas pesam mais no orçamento doméstico e afetam diretamente o consumo, considerado um dos principais motores da economia. Ao priorizar esse segmento, a intenção é aliviar a pressão financeira das famílias sem ampliar de forma significativa o risco para o sistema bancário.
As conversas com os bancos envolvem a criação de condições mais favoráveis, como alongamento de prazos e redução de juros, permitindo que consumidores substituam débitos caros por alternativas mais sustentáveis. Paralelamente, o governo avalia medidas estruturais para baratear o crédito, como incentivo ao uso de garantias e ajustes regulatórios que ampliem a concorrência no setor financeiro.
Por: Lucas Reis