“Lista suja” reúne 169 novos empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão
O MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) divulgou, nesta 3ª feira (7.abr.2026), a “lista suja” com empregadores que teriam submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão. A inclusão de 169 novos nomes foi realizada até 2ª feira (6.abr). Entre os adicionados estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD.
O cadastro passou a reunir 614 nomes. Segundo o site do MTE, a inclusão na lista só é feita quando for finalizada a conclusão de processos administrativos, nos quais são assegurados aos autuados o contraditório e a ampla defesa. Os empregadores permanecem publicados por dois anos. Eis a íntegra do documento (PDF – 501KB).
Publicado semestralmente, o Cadastro de Empregadores tem como objetivo dar transparência aos resultados das ações fiscais de combate ao trabalho escravo, que envolvem a atuação da AFT (Auditoria Fiscal do Trabalho), da (PF) Polícia Federal, do (MPT) Ministério Público do Trabalho, do (MPF) Ministério Público Federal, da DPU (Defensoria Pública da União) e, eventualmente, de outras forças policiais.
MONTADORA CHINESA BYD
A montadora passou a fazer parte da lista por conta da força-tarefa do Ministério Público, realizada em 23 de dezembro de 2024. Na ocasião, foi realizado o resgate de 163 trabalhadores em condição análoga à escravidão e a suspensão de parte das obras para a construção de uma fábrica da BYD em Camaçari (BA).
Posteriormente, a investigação comprovou que todos os trabalhadores entraram no Brasil de forma irregular. Os vistos de trabalho estavam vinculados a funções especializadas; no entanto, eram exercidas outras atividades, não correspondentes às autorizações concedidas.
À época, a BYD disse ter recebido notificação do Ministério Público do Trabalho de que a construtora terceirizada Jinjiang “havia cometido graves irregularidades” e, então, rescindiu o contrato com a Jinjiang. Eis a íntegra (PDF – 6o KB).
AMADO BATISTA
O cantor Amado Batista foi citado no documento como proprietário de dois sítios localizados no estado de Goiás, ambos na zona rural de Goianápolis. No sítio nomeado “Esperança” foram encontrados 10 trabalhadores em situação análoga à escravidão, enquanto no “Recanto da Mata” foram constatados 4 trabalhadores na mesma condição.
A decisão administrativa de procedência com relação ao sítio “Esperança” foi oficializada em 1º de agosto de 2025 e a do estabelecimento “Recanto da Mata”, em 3 de novembro de 2025.
O jornal digital Poder360 entrou em contato com a assessoria de imprensa disponibilizada no site do cantor e não obteve resposta até o momento da publicação. Amado Batista também não se pronunciou nas redes sociais.