Decisão amplia crise no clube após validação de áudio e votação massiva por sanções no episódio do MorumBis
O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube decidiu expulsar Douglas Schwartzmann e Mara Casares do quadro associativo do clube após a conclusão do processo disciplinar ligado ao chamado “caso do camarote”.
A apuração envolveu a análise de um áudio que se tornou peça central do processo e foi validado como prova pelos conselheiros. A gravação menciona a existência de um esquema classificado como “clandestino” envolvendo um espaço reservado no MorumBis, conhecido como Sala Presidencial.
As votações começaram na noite anterior e exigiam aprovação mínima de dois terços dos 253 conselheiros aptos. Em praticamente todos os pontos analisados, o número de votos favoráveis às punições superou a marca de 220.
Entre as sanções aprovadas estão expulsão por gestão temerária, suspensão por 360 dias, inelegibilidade e obrigação de reparação por danos à imagem do clube. No caso de Schwartzmann, também foi determinada a perda do mandato de conselheiro vitalício.
O processo ganhou dimensão após o vazamento do áudio em que os dois conversam com uma intermediária sobre a comercialização irregular de ingressos para o camarote 3A, área que não é colocada à venda oficialmente pelo clube. Ambos renunciaram aos cargos de direção quando o episódio veio a público e, ao longo da apuração interna, alegaram inocência.
O episódio também teve reflexos políticos dentro do clube e foi um dos elementos citados no pedido de impeachment que atingiu o então presidente Júlio Casares, que deixou o cargo durante o trâmite.
Paralelamente ao processo interno, o caso é investigado por uma força-tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo. Um levantamento entregue pelo clube às autoridades aponta a solicitação de milhares de ingressos de cortesia para eventos realizados no estádio entre 2023 e 2025, que podem ter sido usados de forma irregular.
O Conselho ainda pode analisar novas representações disciplinares relacionadas ao tema, enquanto a Comissão de Ética segue avaliando outros desdobramentos administrativos ligados ao impacto financeiro e institucional do episódio.
Por: Bruno José