Irã afirma que utilizará o Estreito de Ormuz ao máximo de suas capacidades, diz embaixador

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André Veras afirmou ao Valor que país tenta pressionar acordo de paz; militarmente enfraquecido, regime aposta em controle da rota energética

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras, afirmou que o Irã deve explorar “até o limite” o controle do Estreito de Ormuz como forma de pressionar negociações por um acordo de paz. A declaração foi dada em entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada nesta 6ª feira (10.abr.2026).

Segundo o diplomata, a estratégia decorre do enfraquecimento militar do país após ataques dos Estados Unidos e de Israel. Nesse cenário, o estreito — por onde passa parte relevante do petróleo mundial — se tornou o principal instrumento de barganha do regime.

“A capacidade militar iraniana está enfraquecida. A ferramenta que eles têm é o Estreito de Ormuz”, disse. “O Irã sabe que está estrangulando o comércio mundial de energia, causando prejuízos.”

Veras afirmou que o controle da rota marítima pode ser usado para obter garantias econômicas e de segurança. “O Irã vai usar esse instrumento até o limite. Não vai abrir mão de obter benefícios que dê ao Estado iraniano segurança econômica e segurança militar.”

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o país tem restringido a circulação de embarcações na região. Os EUA chegaram a ameaçar novas ofensivas caso a passagem não fosse liberada. Um cessar-fogo foi firmado, condicionado a exigências iranianas.

Sanções e compensações

O embaixador disse que a suspensão de sanções é considerada essencial pelo governo iraniano. “O que o Irã diz que não pode abrir mão? Primeiramente, da suspensão das sanções.”

Segundo ele, o país também busca compensações pelos danos causados durante a guerra. “O Irã está querendo colocar na conta essas compensações.”

Uma das alternativas discutidas seria a cobrança de taxas sobre navios que cruzam o Estreito de Ormuz. De acordo com Veras, estudos indicam potencial de arrecadação bilionária.

Programa nuclear e grupos aliados

Sobre as exigências dos EUA, o diplomata afirmou que o Irã não deve abrir mão do programa nuclear para fins civis. “Irã já disse que não vai abrir mão de usar essa tecnologia para fins pacíficos.”

Em relação ao apoio a grupos como Hezbollah e Hamas, disse que o governo iraniano nega controle direto. “Esses grupos não representam posições iranianas.”

Divisão interna e estrutura de poder

Veras afirmou que pode haver divergências dentro do regime, mas avaliou que há clareza institucional. “Penso que possam haver, sim, vozes dissidentes. Mas […] é um Estado que tem muito claro quem faz o quê.”

Segundo ele, as diretrizes seguem sob comando do líder supremo, e as decisões são executadas por órgãos definidos na Constituição.

Reação da população

O embaixador disse que a guerra elevou o apoio interno ao governo diante de ameaças externas. “Quando você tem uma ameaça de aniquilamento do país, inevitavelmente a população […] se fecha para sua própria preservação.”

Ele também relatou manifestações públicas em defesa do país nas ruas de Teerã.





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