Beto Louco oferece delação premiada ao Ministério Público de São Paulo na investigação da Carbono Oculto

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Proposta não envolve foro; em 2025, PGR rejeitou delação que citava Davi Alcolumbre e presentes ao senador

O empresário Roberto Leme, conhecido como “Beto Louco”, formalizou junto ao MP-SP (Ministério Público de São Paulo) a entrega dos anexos de sua proposta de delação premiada. O movimento pode detalhar um esquema bilionário de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro no Estado. As informações são da jornalista Mônica Bergamo.

A colaboração está vinculada à operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 para apurar a atuação do crime organizado em setores da economia formal, como postos de combustíveis, padarias e fintechs. As apurações indicam a infiltração de criminosos nessas atividades legais como forma de ocultar recursos ilícitos.

Nos documentos entregues aos procuradores paulistas, o empresário se propõe a revelar a participação de servidores públicos e de magistrados estaduais nas irregularidades. Como parte da tentativa de validar as informações, Leme entregou dezenas de celulares que utilizava e dados de corroboração.

Outro avanço significativo nas tratativas, segundo a reportagem, é que “Beto Louco” concordou em pagar milhões de reais como ressarcimento aos cofres públicos pelos crimes cometidos –etapa considerada o maior entrave nas negociações de colaboração premiada.

SEM FORO PRIVILEGIADO

A atual proposta de delação entregue ao MP-SP não envolve autoridades com foro privilegiado em Brasília. O cenário difere de uma tentativa anterior do empresário que não prosperou.

No ano passado, a PGR (Procuradoria Geral da República), sob comando de Paulo Gonet, rejeitou uma proposta de colaboração que mencionava nomes do alto escalão político, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

À época, o noticiário apontou que o empresário teria presenteado o congressista com canetas emagrecedoras Mounjaro em agosto de 2024 (o medicamento ainda não estava disponível no Brasil), e financiado um show do cantor Roberto Carlos no Amapá. Os “presentes” teriam sido oferecidos em troca de apoio político para reverter decisões da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) contra a empresa de Leme, a Copape. Alcolumbre nega o envolvimento.

PRÓXIMOS PASSOS

Considerado foragido da Justiça, Leme passou as últimas semanas em contato com sua defesa no Brasil para estruturar os anexos da delação –que funcionam como uma prévia do conteúdo a ser detalhado caso o acordo avance.

A decisão final sobre a aceitação da proposta caberá ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa. A avaliação envolverá tanto a consistência das provas apresentadas nos celulares quanto a relevância das informações para as investigações.





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