O técnico Filipe Luís surpreendeu ao revelar detalhes pouco conhecidos sobre o início de sua trajetória como treinador no Flamengo. Apesar da carreira consolidada como jogador, ele enfrentou dificuldades inesperadas ao dar os primeiros passos fora das quatro linhas. Durante um evento promovido pela Conmebol, o ex-lateral admitiu que viveu momentos de insegurança logo na primeira semana de trabalho.
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Início no Flamengo foi marcado por insegurança
Logo após encerrar a carreira, algumas dificuldades se tornaram evidentes. Mesmo com uma visão clara de jogo, ele percebeu que transformar ideias em prática não seria simples.
– Quando me aposento, tinha a ideia de como queria que o meu time jogasse. Então, o único que me faltava era saber como eu fazer para que a minha equipe jogasse como eu quero. Então, isso para mim é o mais complicado – contou Filipe, emendando em seguida:
– Eu não sabia fazer treinamentos, fui buscar uma pessoa (o auxiliar Iván Palanco) que sabe de metodologia, sabe fazer treinamentos, que se encaixa com a minha ideia de jogo. O segredo é ter gente melhor que você ao lado. Tive a sorte de encontrar um assistente que me ajudou muito com montagem de treinamentos, com todos esses detalhes, além de me ajudar com a frustração de ser treinador na primeira semana, porque eu pensava que sabia tudo. E na primeira semana eu saí quase chorando, porque não via nada na primeira semana de treinamentos na base. Para mim foi também uma lição de humildade. ‘Menos mal que eu comecei aqui na base, porque é muito mais difícil do que eu pensava’. Mas depois fui melhorando e entendendo mais como funciona esse trabalho – disse Filipe Luís.
Diferença entre base e profissional chama atenção
Outro ponto relevante citado por Filipe Luís foi a diferença de comportamento entre atletas da base e jogadores experientes. Segundo ele, o nível de entendimento e comprometimento muda completamente.
– Foi muito mais fácil lidar com os profissionais que com os jogadores da base. Porque os profissionais estão jogando a vida dos seus filhos, eles precisam dessa informação para jogar bem. Se você dá uma informação que não é muito clara, vão te fazer perguntas, você tem que estar preparado para isso. Então, eles buscam essa informação para poder performar ao máximo nível. Então, para mim é mais fácil treinar os profissionais do que os jogadores da base, que não querem saber. Querem ‘me dá a bola que eu quero jogar’ e é isso. Então, para mim, treinar com o profissional é mais fácil – analisou o treinador.
Experiência no elenco principal e gestão de grupo
Posteriormente, já no comando do elenco principal do Flamengo, o treinador conseguiu aplicar melhor suas ideias. Inclusive, ele destacou a qualidade do grupo com o qual trabalhou.
– Tive a oportunidade de treinar o Flamengo, que hoje, sem subestimar ninguém, é o melhor elenco da América do Sul. Então, para mim, o jogador que é muito bom sabe quando está bem, quando não está bem, por que está jogando, por que não está jogando, o porquê da vida. Então eu acho que é mais fácil lidar sempre com estrelas que com jogadores com menos nível. Também é algo que eu penso, é uma opinião, não tenho a razão, mas é o que eu penso. Depois tive a vantagem de conhecer muito bem este vestiário porque eu havia jogado com eles. Depois também muitas coisas, eu sabia do que este grupo gostava ou não gostava – afirmou.
Além disso, ele ressaltou a facilidade na gestão do elenco, principalmente por conta da liderança interna.
Por fim, apesar dos desafios iniciais, as dificuldades não impediram conquistas importantes. Ele deixou o clube no início de março, após resultados negativos em competições, mas acumulou títulos tanto na base quanto no profissional.