Roxette confirma show em São Paulo com nova vocalista em abril de 2026

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“O fantasma da Marie está sempre ali. Sempre”. A frase é de Per Gessle, compositor e guitarrista do Roxette, ao falar dos shows atuais da banda sueca.

No palco, ele diz que a lembrança de Marie Fredriksson aparece o tempo todo, em cada música, na forma de cantar e na memória do público. A cantora de cabelos curtos e loiríssimos penteados para cima morreu em 2019, aos 61, devido a um tumor cerebral.

Atualmente, quem canta as músicas do Roxette é a também sueca Lena Philipsson, de cabelos compridos e mais escuros. “E a Lena tem plena consciência disso”, diz Gessle, referindo-se ao espírito de Marie no palco.

“Toda vez que você toca essas músicas, você lembra que era ela cantando —de como soava e de como se comportava no palco. Principalmente naquele período em que dominamos o mundo, entre 1988 e 1995. Quando penso na Marie, penso naquela época, em que ela era simplesmente extraordinária.”

A turnê chegou no domingo ao Rio de Janeiro e, nesta terça-feira (14), chega a São Paulo, no Espaço Unimed. No set list, todos os sucessos da carreira, como “Listen to Your Heart” e “The Look”.

Esse retorno após a morte de Marie não foi imediato. Gessle diz que não sabia o que fazer com o repertório. “No fim das contas, há apenas duas escolhas: seguir em frente ou não seguir”, afirma. O compositor chegou a considerar parar.

“São músicas muito fortes. Eu escrevi a maioria delas. Não queria simplesmente deixá-las de lado.” A dúvida durou anos, até que ele começou a procurar uma forma de continuar sem transformar o projeto em outra coisa.

A saída apareceu em estúdio. Gessle trabalhava em um disco com participações quando convidou Lena Philipsson, uma cantora que já tinha uma sólida carreira de quatro décadas na Suécia.

“Foi a primeira vez que trabalhei com ela e fiquei impressionado com sua capacidade”, diz. Não houve testes com outros nomes. “Não fiz audições. Simplesmente aconteceu.”

Eles experimentaram versões acústicas de músicas como “Fading Like a Flower”, “Spending My Time” e “Listen to Your Heart”. “O resultado soava diferente, claro. Não soava como Marie —e nem deveria soar. Soava como Lena.” Segundo ele, foi nesse momento que percebeu que havia encontrado uma forma possível de levar as músicas adiante.

Desde então, a dupla fez cerca de 45 shows juntos, passando por Europa, África do Sul e Austrália. A sequência de apresentações no último verão europeu ajudou a consolidar o formato da turnê. “Ela sabe lidar com grandes plateias”, diz Gessle. Lena assumiu o papel de frente do show com estilo próprio, sem tentar reproduzir a interpretação original.

O projeto, no entanto, tem limites bem definidos. “Não estou criando uma nova banda”, afirma. Segundo ele, a ideia não é transformar a formação atual em um novo Roxette.

“Estamos trazendo o catálogo de volta ao palco.” Gessle diz que já gravou músicas com Lena, mas elas não devem sair com o nome do grupo.

Mesmo uma faixa recente, “Bad Blood”, segue essa lógica. O lançamento saiu como um trabalho paralelo, assinado por Per e Lena, e não como um single do Roxette. Para ele, isso ajuda a manter clara a divisão entre o legado da banda e novos projetos.

Nos shows, a preocupação é manter as músicas próximas das versões originais. Parte disso vem da própria formação, que inclui músicos que já tocaram com o Roxette, como o produtor Clarence Öfwerman e o guitarrista Jonas Isacsson.

“Queremos ser fiéis às gravações”, afirma. Ele também destaca a decisão de não usar bases pré-gravadas. “Tudo é tocado ao vivo. Sempre foi assim. Às vezes a música fica mais longa, às vezes mais curta. Às vezes funciona melhor, às vezes menos.”

A reação do público, diz ele, mudou — mas não desapareceu. “É diferente.” A presença de Lena altera o show, mas as canções continuam reconhecíveis.

“Soa como Roxette —mas não é igual.” Para explicar essa transição, ele compara com outras bandas que seguiram em frente após mudanças de vocalista, como o Queen com Adam Lambert ou o AC/DC que teve Axl Rose à frente.

Em 2026, o Roxette completa 40 anos desde o primeiro álbum e alcança uma nova marca: “It Must Have Been Love”, de 1986, que foi trilha do filme “Pretty Woman”, com Julia Roberts, ultrapassou 1 bilhão de execuções no Spotify, com algo entre 600 mil e 700 mil reproduções diárias. Muitas outras foram trilhas de novelas brasileiras.

“É difícil entender como uma canção tão antiga ainda é tão ouvida”, diz Gessle. Com mais de 80 milhões de discos vendidos, o Roxette se consolidou como o maior sucesso pop sueco desde o ABBA.

Ao falar dessa influência, ele volta à formação musical. “A música sueca é muito melódica. Isso faz parte do nosso DNA”, afirma. Ele menciona também a tradição do folk no norte da Europa. “Temos mais melodia do que ritmo.” Para ele, essa pode ser uma das razões pelas quais as músicas continuam sendo ouvidas décadas depois. “Não sei exatamente por que funciona. Mas funciona.”



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