Projeção indica impacto de até 1 p.p. em 2026; alta do Brent tende a reduzir o deficit no curto prazo, e despesas para conter preços podem limitar o ganho fiscal
O conflito no Oriente Médio aumentará a inflação no Brasil entre 0,7 a 1,0 p.p. (ponto percentual) em 2026, de acordo com IFI (Instituição Fiscal Independente). Em 2027, a alta dos preços será entre 0,2 a 0,5 p.p. Por outro lado, o país pode conseguir elevar a arrecadação com o petróleo mais caro, apesar dos gastos do governo.
As projeções constam no Relatório de Acompanhamento Fiscal de abril do órgão técnico do Senado. O documento foi publicado nesta 5ª feira (16.abr.2026).
O barril tipo Brent passou de US$ 70 para cerca de US$ 100 com a guerra entre Estados Unidos e Irã. Embora haja impacto negativo na economia, existe ganho fiscal relevante no curto prazo. As estimativas mostram que o deficit primário pode cair de -0,7% do PIB (Produto Interno Bruto) para até -0,1% em 2026.
O IFI estima receitas extras nos próximos 2 anos:
- de R$ 25,9 bi a +R$ 56,9 bi em 2026
- de R$ 42,0 bi a +R$ 82,2 bi em 2027
O dinheiro virá dos royalties do petróleo, imposto sobre exportação da commodity e aumento indireto da arrecadação via inflação. Estados e municípios também serão beneficiados.
Outro fator são os dividendos maiores da Petrobras. A alta do Brent impulsionará a receita da estatal. Com isso, a companhia terá maior capacidade de distribuir proventos. Como o governo é o maior acionista da empresa, será o mais beneficiado.
GASTOS DO GOVERNO CONTINUAM
O órgão do Senado faz ressalvas. Os gastos do governo podem minar o efeito positivo da alta do petróleo nas contas públicas.
O Planalto lançou uma série de medidas que na prática significam novas despesas e renúncias fiscais para controlar o preço dos combustíveis. As mudanças custarão R$ 14,3 bilhões em 2026, são elas:
- subvenções a produtores e importadores de diesel e ao GLP (Gás Liquefeito de Petróleo)
- linhas de crédito para capital de giro das companhias aéreas
- desoneração de PIS/Cofins sobre o biodiesel e o querosene de aviação
RISCOS CRESCEM NO LONGO PRAZO
No médio e longo prazo começam os efeitos negativos da inflação elevada, que pressionam os gastos federais com previdência, benefícios sociais e seguro-desemprego.
Os preços também pressionam os juros, que devem permanecer em patamar elevado. A Selic alta pode comprometer o crescimento e as contas do governo, que terá que gastar mais com juros.
O IFI manteve a projeção de crescimento do Brasil em 1,7%. Entretanto, o PIB apresenta risco de baixa nos próximos anos, segundo o relatório.
INCERTEZAS
O documento cita que o cenário é extremamente volátil e dependerá da extensão do conflito e do nível de reabertura do Estreito de Ormuz –por onde passa 20% do petróleo consumido no mundo.
De acordo com o IFI, a depender do nível de comprometimento da estrutura produtiva petrolífera do Oriente Médio, pode haver:
- aumento da inflação em escala mundial,
- retração do comércio e da economia,
- comprometimento das cadeias logísticas e
- crise energética global persistente