Exposição em Paris revisita trajetória de Robert Capa durante a Segunda Guerra Mundial

⏱️ 4 min de leitura


Não é todos os dias que se pode testemunhar o trabalho de um fotógrafo de guerra como se fosse em tempo real. Ainda mais quando se trata de Robert Capa, arquétipo da profissão, em ação em plena Segunda Guerra Mundial. A façanha foi realizada na capital francesa, em uma exposição recém-inaugurada no Museu da Libertação de Paris.

“Robert Capa, Photographe de Guerre”, ou “Robert Capa, Fotógrafo de Guerra”, foi organizada pelo museu em parceria com a agência Magnum, da qual Capa foi um dos fundadores, em 1947, junto com Henri Cartier-Bresson e outros ícones do fotojornalismo.

O destaque da mostra é um filme que cruza as imagens capturadas por Capa na batalha pela libertação de Paris, em agosto de 1944, com filmes contemporâneos, de diversos acervos.

O resultado é fascinante. Durante 15 minutos, o espectador acompanha seus passos Paris adentro, protegendo-se dos snipers nazistas, subindo em jipes militares e até ajudando a negociar a rendição de soldados alemães. Ora o fotógrafo aparece de relance em um fotograma fugaz, ora é protagonista de episódios cruciais da batalha.

Questionada sobre a ideia do filme, Sylvie Zaidman, diretora do museu, diz que ali se conserva muitas imagens, “que nos deram, que compramos”. “E pegamos todas as que pudemos encontrar, filmes do Exército americano, e achamos Capa”, afirma.

Graças à parceria com a Magnum, a exposição traça um panorama completo da carreira de Capa, nascido Endre Friedmann, em Budapeste, em 1913. Um dos méritos da exposição é não tentar embelezar desnecessariamente a trajetória do fotógrafo, marcada por polêmicas, muitas delas posteriores à sua morte, ocorrida em 1954, ao pisar em uma mina terrestre na então Indochina, atual Vietnã.

Um exemplo é o debate em torno das fotos feitas por Capa para a revista americana Life no Dia D, o desembarque das tropas aliadas na Normandia, em 6 de junho de 1944. Para explicar o fato de que apenas dez fotogramas foram obtidos pelo fotógrafo, difundiu-se na época a lenda de que o laboratório teria estragado um rolo inteiro de filme na revelação. O consenso atual, mais prosaico, é que Capa passou “apenas” meia hora em Omaha Beach, sob o fogo nazista, e escapou no primeiro navio disponível.

Outra controvérsia conhecida diz respeito à autoria de algumas fotos atribuídas a ele no início da carreira, na verdade feitas por sua companheira, Gerta Pohorylle, conhecida pelo pseudônimo Gerda Taro.

Responsável pelo pseudônimo e por boa parte do sucesso inicial do companheiro, Taro morreu atropelada por um tanque durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937. Setenta anos depois, a descoberta no México de uma mala com negativos e um diário perdido permitiu confirmar que muitas imagens creditadas a Capa foram, na verdade, feitas por ela.

A terceira grande polêmica da carreira de Capa tem a ver com uma célebre foto tirada no conflito espanhol, “Miliciano Legalista no Momento da Morte”, publicada em 1936 na Life. O visitante pode ouvir a voz do próprio Capa, relatando sua versão da obtenção daquela imagem. “Coloquei a câmera acima da trincheira e cliquei sem nem olhar”, conta.

Uma análise de detalhes da foto, como a localização do morro ao fundo, feita décadas depois, porém, indica que o suposto flagrante de um soldado mortalmente atingido em pleno combate seria, na verdade, uma foto posada, feita durante um treinamento.

Nenhuma dessas revelações posteriores tira, é claro, o mérito de Capa pela coragem no campo de batalha, nem o valor artístico da composição primorosa de suas imagens.

A exposição ganha um aspecto ainda mais tocante quando se sabe que o escritório de Capa ficava a poucos metros do museu —erguido sobre o bunker subterrâneo de onde o coronel Henri Rol-Tanguy comandou as tropas francesas que ajudaram os americanos a libertarem Paris da ocupação nazista.

Uma máquina de escrever que pertenceu a Capa e uma folha de papel timbrado com a assinatura dele aproximam o visitante da história que foi escrita ali, ao mesmo tempo em que servem como alerta para o risco de tempos sombrios que exijam a coragem de novos fotógrafos de guerra.



últimas notícias

VEJA TAMBÉM

⏱️ 2 min de leituraLeonardo e Viviane se reencontram, Zenilda vive nova paixão e Ferette começa a pagar ...

⏱️ 2 min de leituraÚltimos dias do reality são marcados por desgaste emocional, insegurança e análises sobre o ...

⏱️ 2 min de leitura Primeira-dama cita riscos à democracia e cobra regras para plataformas em evento na ...

⏱️ 1 min de leitura Na noite de quinta-feira, 16 de abril, a cantora e compositora mineira subiu ...

⏱️ 1 min de leituraSem acertadores nas seis dezenas, próxima edição da loteria promete movimentar apostas em todo ...