- Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores e das demais aparições do personagem na televisão.
Uau, a tão aguardada e tão falada volta de Jessica Jones foi… patética… Sim, ver Krysten Ritter novamente no papel é bacana, sem dúvida, mas o espaço que a produção cavou para ela nesse episódio não condiz com a personagem e com a atriz, não passando de um descarado e mal ajambrado fan service que não faz absolutamente nada pela temporada. Foram poucos minutos de uma suposta nostalgia que simplesmente não se pagou e, se o que tiver pela frente para a personagem for esse tipo de aparição gratuita, feita para agradar fãs que parecem viver para bobagens assim, então teria sido bem melhor que ela tivesse ficado na casa de subúrbio americano dela cuidando de sua filha Danielle, ignorando completamente o que estava acontecendo em Nova York em geral e com seu colegão de profissão em particular.
No entanto, quisera eu que os problemas de Réquiem fossem concentrados nessa aparição pífia da heroína detetive. Se fossem, teria sido ótimo, um pequeno detalhe frustrante que poderia ser simplesmente ignorado ou engolido por momentos superiores. Infelizmente, as consequências da morte de Vanessa foram tão, mas tão simplistas tanto de um lado quanto do outro nesse conflito, que eu por um segundo achei que estava vendo um episódio esquecido da temporada anterior. O momento sadomasô entre Buck e Heather foi inadvertidamente hilário e será mais hilário ainda se ela se transformar na Musa; o jantar em família entre o aniversariante Daniel, sua mãe e BB pareceu tirado de um capítulo aleatório de alguma série policial dos anos 80; a discussão sobre a diferença de justiça e vingança foi mais uma repetição temática que, especialmente, aqui, foi abordada com a elegância de um elefante em uma loja de louças e, finalmente, a pancadaria entre Wilson Fisk e Demolidor me deu a impressão de ser um último ato de desespero dos roteiristas para trazer algo supostamente de peso para a história. Foi como um episódio do “Mundo Invertido” quando o comparamos com o imediatamente anterior ou, francamente, qualquer um da temporada.
E isso porque eu nem comentei sobre mais um retorno, desta vez do Sr. Charlie fazendo suas manobras para castigar o Rei do Crime por tê-lo privado de suas tão cobiçadas armas para tocar o terror em algum canto do mundo ou da forma boba como Karen Page é capturada no final. Pelo menos a prisão de Page, que parece ter sido todo o objetivo do episódio, tem potencial para levar a temporada a seu fim, mas espero fortemente que a intenção da produção não seja eliminar a personagem como foi feito com Foggy Nelson. No entanto, como foi constante no episódio todo, esse momento tão importante teria se beneficiado de um cuidadoso e gradativo aumento de tensão entre a população revoltosa e a AVTF, com mais mais calma, mais compasso e cadência e menos uma sucessão de cenas telegrafadas do começo ao fim por um roteiro que, aqui, resolveu tratar o espectador como criança pequena, que precisa dar as mãos para atravessar a rua.
Réquiem, infelizmente, foi a primeira derrapada de uma temporada que vinha firme e forte nos fazendo esquecer da frustração que foi o frankensteiniano primeiro ano. Jessica Jones merecia muito mais para sua entrada oficial no Universo Cinematográfico Marvel e o conflito físico do Demolidor com Fisk igualmente precisava de mais solenidade e significado. Do jeito que ficou, o episódio pareceu um tapa buraco para levar a temporada ao número regulamentar de minutos totais, desperdiçando ótimas oportunidades e personagens. Só nos resta esperar que essa primeira derrapada seja também a única e que Dario Scardapane tenha um bom plano para a dupla final de capítulos.
Demolidor: Renascido – 2X06: Réquiem (Daredevil: Born Again – 2X06: Requiem – EUA, 21 de abril de 2026)
Showrunner: Dario Scardapane
Direção: Angela Barnes
Roteiro: Devon Kliger, Jesse Wigutow
Elenco: Charlie Cox, Vincent D’Onofrio, Margarita Levieva, Arty Froushan, Nikki M. James, Ayelet Zurer, Michael Gandolfini, Zabryna Guevara, Clark Johnson, Deborah Ann Woll, Genneya Walton, Hamish Allan-Headley, Wilson Bethel, Krysten Ritter
Duração: 52 min.