USP mantém greve após impasse nas negociações sobre gratificação salarial

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Servidores rejeitam proposta da reitoria e ampliam pautas; paralisação estudantil já atinge 105 cursos

A greve dos funcionários técnicos e administrativos da USP, mais prestigiada instituição de ensino do país, segue sem acordo após nova rodada de negociação realizada na 4ª feira (22.abr.2026). A reitoria liderada por Aluisio Segurado manteve a proposta apresentada na semana anterior, baseada na concessão de uma gratificação geral, mas a oferta foi rejeitada em assembleia da categoria. As informações são do jornalista Bruno Lucca, da Folha de S.Paulo.

O impasse tem origem na criação da Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), voltada aos docentes. A medida, aprovada em 31 de março pelo Conselho Universitário, estabelece o pagamento mensal de R$ 4.500 a professores envolvidos em projetos considerados estratégicos, como disciplinas em inglês e ações de extensão. O benefício tem duração inicial de 2 anos, com possibilidade de prorrogação.

Como resposta, a administração da USP propôs destinar o mesmo montante anual reservado aos docentes —R$ 238,44 milhões— aos funcionários.

Dividido entre os cerca de 12.000 funcionários, o valor representaria aproximadamente R$ 1.600 mensais por trabalhador. A proposta foi considerada insuficiente pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP, que decidiu ampliar a pauta de reivindicações.

Além da equiparação com os professores, os funcionários passaram a exigir acesso universal ao BUSP, cartão de transporte interno gratuito, e o fim da escala 6 X 1 para terceirizados. Também cobram que a universidade inclua as demandas dos estudantes nas negociações.

A paralisação estudantil se expandiu e já atinge 105 cursos em diferentes campi. Entre as principais reivindicações estão melhorias nas condições de permanência, com aumento de bolsas e qualidade dos restaurantes universitários. Outro ponto de tensão envolve uma proposta em análise interna que regulamenta o uso de espaços por centros acadêmicos, o que, segundo estudantes, pode restringir atividades e fontes de renda dessas entidades. Em algumas unidades, como a EACH (USP Leste), há pedidos específicos, como a criação de moradia estudantil.

A reitoria afirmou ter adotado medidas de valorização, como reajustes no vale-refeição (de R$ 45 para R$ 65), no vale-alimentação (de R$ 1.950 para R$ 2.050) e aumento de 14,3% no auxílio-saúde. Também cita programas como o Renova USP e um novo sistema de mobilidade interna. Segundo a administração, 69 de 86 unidades registraram adesão baixa ou inexistente à greve.

A universidade disse que analisa propostas de valorização da carreira e ressalta que o calendário eleitoral de 2026 impõe restrições à concessão de novos benefícios neste ano. Enquanto isso, as negociações seguem sem previsão de acordo.


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