No congresso do partido, Edinho Silva defende comissão com juristas e sociedade e cobra alinhamento ao programa de Lula
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta 6ª feira (24.abr.2026), na abertura do 8º congresso do partido, em Brasília (DF), que a reforma do Judiciário deve partir do próprio sistema de Justiça.
“Penso que essa deva ser uma iniciativa fundamental do próprio Poder Judiciário”, disse. Em declaração a jornalistas no evento, Edinho defendeu a formação de uma comissão liderada pelo Judiciário, que poderia ser ampliada com juristas, representantes da sociedade civil e especialistas do meio acadêmico, além de considerar experiências internacionais.
A declaração foi feita depois de um discurso em que o dirigente voltou a cobrar reformas estruturais e a necessidade de alinhar a base de apoio do governo ao programa petista.
Na prática, uma reforma do Judiciário depende do Congresso, já que mudanças estruturais exigem emendas à Constituição. Uma das estratégicas do PT para 2026 é mirar a eleição de mais deputados e senadores, com foco na Casa Alta.
Segundo ele, apesar do respaldo de partidos aliados, movimentos sociais e setores da sociedade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), esse apoio ainda está distante das diretrizes defendidas pelo partido.
A defesa de mudanças no sistema de Justiça não é nova no partido. O PT já incluiu, em seus programas de governo e resoluções internas, propostas de reforma do Judiciário. Tais iniciativas também não avançaram durante outros períodos em que a sigla esteve à frente do Palácio do Planalto, entre 2003 e 2016.
“Há setores que defendem o enfraquecimento do Poder Judiciário para enfraquecer a democracia e instituir um regime de exceção no Brasil. Isso é prejudicial”, afirmou, em referência a grupos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Edinho Silva discursou na abertura do 8º Congresso Nacional do PT, em Brasília, nesta 6ª feira (24.abr.2026). “As lideranças fascistas do Brasil têm nome e sobrenome”, afirmou no discurso mais longo da noite
Ele também afirmou que o partido precisa “sair da defensiva” e reconhecer o distanciamento entre o governo e parte da sociedade.
O programa partidário é coordenado pelo ex-ministro José Dirceu e fala em propostas estruturais. Cita uma reforma tributária progressiva e defende reformas mais amplas do Estado, do Judiciário e das Forças Armadas. Sugere o fim das emendas impositivas e propõe uma reforma política com voto em lista e mudanças no sistema eleitoral. Eis a íntegra de suas sugestões (PDF – 105 kb).
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O congresso do PT segue até domingo (26.abr). Lula não participou da abertura por motivos médicos. Enviou um vídeo ao evento no qual confirmou a intenção de disputar a reeleição. “Se preparem: eu vou ser presidente outra vez”, disse.
A abertura começou esvaziada, e o plenário só ganhou volume por volta das 20h. A baixa presença de jovens também foi notada. Entre os presentes estavam:
- Edinho Silva (presidente nacional do PT);
- Jilmar Tatto (vice-presidente nacional do PT e deputado federal por SP);
- José Guimarães (ministro da Secretaria de Relações Institucionais);
- Humberto Costa (senador pelo PT-PE e 2º vice-presidente do Senado);
- Zeca Dirceu (deputado federal pelo PT-PR);
- Pedro Uczai (líder do PT na Câmara dos Deputados e deputado federal por SC);
- Geraldo Alckmin (vice-presidente da República);
- Paulo Okamotto (ex-presidente da Fundação Perseu Abramo e um dos coordenadores da campanha de Lula);
- Carlos Lupi (ex-ministro da Previdência Social e presidente do PDT);
- José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil);
- Márcia Lopes (ministra das Mulheres).