Montadoras europeias seguem exemplo chinês para otimizar custos de produção

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Montadoras europeias adotam modelo chinês para reduzir custos

As montadoras tradicionais estão se transformando. Fabricantes como a Renault utilizam centros de pesquisa na China para inovar e acelerar o lançamento de novos carros. Esta mudança marca uma resposta direta à competitividade feroz que o país asiático impõe ao setor automotivo global.

A Renault, por exemplo, lançou o novo Twingo, um carro 100% elétrico, projetado em múltiplos continentes. Essa estratégia visa não apenas modernizar o portfólio, mas também otimizar custos e tempo de desenvolvimento. O Twingo está sendo produzido na Eslovênia e custará cerca de 20 mil euros na Europa, um valor atrativo, especialmente em um mercado tão competitivo.

A dinâmica de produção na China

Muitas montadoras ocidentais, incluindo Tesla e Volkswagen, já há algum tempo operam na China tanto para atender o mercado interno quanto para exportação. Recentemente, essa presença foi ampliada para o desenvolvimento de novos modelos, em busca de aproveitar a expertise local e a vasta rede de fornecedores de veículos elétricos.

Renault e Mercedes abriram centros de pesquisa em Xangai em 2024, enquanto a Volkswagen expandiu seu centro de desenvolvimento em Anhui. Essas iniciativas refletem a crença de que “a China se tornou a academia do mundo” para a indústria automobilística, como afirma Alexandre Marian, consultor da AlixPartners.

Redução drástica no tempo de desenvolvimento

O ciclo de desenvolvimento de novos veículos na China pode levar cerca de dois anos, menos da metade do que as montadoras tradicionais gastam. Segundo Bill Russo, analista do setor, essa agilidade deve-se ao uso intensivo de automação e ao trabalho em etapas paralelas. Essa abordagem permite que as montadoras chinesas sejam mais coordenadas e mantenham designs mais simples, respondendo rapidamente às demandas do mercado.

O impacto da experiência chinesa na Renault

Depois de uma pausa no mercado chinês em 2020, a Renault voltou a se concentrar no desenvolvimento local após visitar o Salão do Automóvel de Xangai em 2023. O Centro ACDC, inaugurado em Xangai, permitiu à montadora se inserir no ecossistema chinês e compreender sua dinâmica.

Oliver Laik, responsável pelo segmento de carros compactos, destaca que produzir o Twingo na China possibilita não apenas a redução de custos, mas também a manutenção de preços competitivos na Europa. Assim, mesmo a mudança na posição da Renault em relação ao mercado chinês demonstra uma estratégia bem fundamentada.

Inovação nos processos de desenvolvimento

Tradicionalmente, o desenvolvimento de um novo modelo, como o Twingo, poderia levar até 42 meses, em grande parte devido à validação extensiva do veículo. No entanto, a Renault modificou sua abordagem ao trabalhar de maneira mais integrada com fornecedores, adotando um modelo conhecido como “produção planejada”.

Esse novo método envolve projetar as peças e enviar especificações precisas aos fabricantes, economizando tempo e custos. Além disso, reuniões mais frequentes foram implementadas para que as equipes de design pudessem comunicar progressos de forma mais ágil.

Resultados e lições aprendidas

O Centro ACDC permitiu à Renault reduzir custos em até 40% em comparação com o processo tradicional. Este resultado é significativo e abre caminho para a produção de mais modelos em colaboração com a Dacia e Nissan nos próximos meses.

Entretanto, a dúvida persiste sobre a capacidade das montadoras ocidentais de replicar a “velocidade chinesa” em seus mercados. Os desafios incluem não apenas a adaptação à tecnologia, mas também a reestruturação de equipes para promover eficiência.

O futuro das montadoras tradicionais

As montadoras europeias precisam se reinventar se desejam competir com a agilidade de seus pares chineses. Alexandre Marian acredita que, embora os engenheiros europeus tenham grande conhecimento técnico, é essencial que eles abandonem estruturas hierárquicas que atrasam os processos.

Bill Russo complementa que a adaptação vai além dos carros elétricos, abrangendo também áreas como direção autônoma e software. Se as montadoras não agilizarem suas operações, correm o risco de perder oportunidades valiosas em um mercado cada vez mais dinâmico.

A experiência na China pode ser um modelo de referência, mas sua implementação em larga escala em mercados ocidentais exigirá mudanças profundas e efetivas nas estratégias de desenvolvimento.

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