A tentativa de muitos pais de simplesmente proibir o uso do celular pelos filhos pode estar produzindo o efeito contrário ao desejado. Em vez de proteger, a proibição total tende a gerar desgaste na relação familiar e faz com que o adolescente passe a usar a internet de forma escondida, sem qualquer supervisão.
O alerta é do psicólogo Leonardo Pestillo de Oliveira, que defende uma abordagem mais inteligente e eficaz: a mediação ativa e o chamado detox digital planejado.
Segundo o especialista, o uso do celular já faz parte da rotina de crianças e adolescentes. Dados recentes mostram que 92% dos jovens entre 9 e 17 anos acessam a internet todos os dias. Diante dessa realidade, a proibição pura e simples se torna inviável e contraproducente.
O problema não está apenas no tempo de tela, mas na forma como o conteúdo é consumido. Plataformas digitais são estruturadas para oferecer recompensas imprevisíveis, estimulando o cérebro a permanecer conectado por longos períodos. Isso pode afetar diretamente a formação da identidade, a autoestima e a saúde emocional dos jovens.
Além disso, os riscos são reais: cyberbullying, aliciamento virtual e compartilhamento impulsivo de imagens estão entre as principais ameaças.
Para o psicólogo, a solução passa por três pilares fundamentais.
O primeiro é a mediação ativa. Isso significa estabelecer limites claros de tempo, utilizar filtros etários e acompanhar de perto o que os filhos consomem online, sempre com diálogo e orientação, e não com punição.
O segundo ponto é o detox digital planejado. Pausas programadas no uso das telas ajudam a recuperar a atenção, reduzir a ansiedade e restabelecer o equilíbrio emocional.
O terceiro pilar é a transparência nas conversas familiares. Pais que participam das discussões sobre jogos, redes sociais e conteúdos digitais criam um ambiente de confiança, no qual o adolescente se sente seguro para compartilhar dúvidas e experiências.
A mensagem central é clara: confiança e comunicação funcionam muito mais do que bloqueios radicais.