STF condena Bolsonaro a 27 anos de prisão em caso de golpe de Estado

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Ex-presidente é punido por tentativa de golpe, organização criminosa e outros crimes; decisão histórica marca a primeira condenação de um chefe de Estado brasileiro

Em um julgamento considerado histórico, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quinta-feira (11) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pela participação em uma trama golpista que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre o fim de 2022 e o início de 2023. É a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente é condenado por crimes contra a democracia.

Segundo a decisão, a pena inclui 24 anos e 9 meses de reclusão em regime fechado e 2 anos e 6 meses de detenção em regime semiaberto ou aberto. Pela Lei da Ficha Limpa, Bolsonaro também ficará inelegível por oito anos após cumprir a sentença.

Condenação coletiva

A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que Bolsonaro e outros sete aliados – incluindo ex-ministros e militares – formaram o núcleo central da chamada “trama golpista”. Por 4 votos a 1, a Primeira Turma do STF considerou o ex-presidente culpado por:

tentativa de golpe de Estado;

tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito;

participação em organização criminosa armada;

dano qualificado contra o patrimônio da União;

deterioração de patrimônio tombado.

Os ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin votaram pela condenação, enquanto Luiz Fux divergiu em parte dos crimes.

Penas aplicadas aos réus

Além de Bolsonaro, outros sete réus foram condenados. Entre eles estão o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira (19 anos de prisão); o general Augusto Heleno (21 anos); o ex-ministro Anderson Torres (24 anos); o ex-almirante Almir Garnier (24 anos); e o ex-ministro Braga Netto (26 anos). O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) recebeu pena de 16 anos, enquanto Mauro Cid, delator do esquema, foi condenado a dois anos em regime aberto devido ao acordo de colaboração premiada.

Prisão imediata?

Apesar da condenação, a prisão não é automática. O processo precisa transitar em julgado – ou seja, não caber mais recursos – para que a execução das penas seja iniciada. Atualmente, Bolsonaro e Braga Netto seguem presos preventivamente por descumprimento de medidas judiciais e obstrução de Justiça, respectivamente.

Marco histórico

A decisão reforça a posição do Supremo em defesa do Estado democrático de Direito e sinaliza um novo capítulo na história política do país. Para especialistas, a condenação abre precedente e reafirma que ataques à democracia terão resposta firme das instituições.


Por: Genivaldo Coimbra
Foto: Antonio Augusto/STF

 

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