Foram jogos vorazes, e chegou a parecer que não sobraria gente sã, mas o Big Brother Brasil 26 resistiu e vai exibir seu capítulo final nesta terça-feira (21).
Com a eliminação de Leandro Rocha, o Boneco, neste domingo, concorrem ao prêmio o dançarino e influenciador Juliano Floss, a estudante Milena Moreira e a jornalista Ana Paula Renault, que retornou ao programa depois de ser expulsa do BBB 16, há dez anos, quando bateu no rosto de um adversário.
Foi uma edição de emoções arrepiantes para o público e para ela, que descobriu estar no final no mesmo domingo em que recebeu a notícia da morte do pai, Geraldo, aos 96 anos. Durante o confinamento, a participante ressaltou a forte conexão que tinha com ele e chegou a brigar com Alberto Cowboy, um dos seus rivais, quando ele mencionou o patriarca.
Segundo Cida, uma das irmãs de Ana Paula, Geraldo seguia vendo a filha no programa do hospital e torcendo para que ela fosse até o fim da disputa.
É irônico, porém, que Ana Paula tenha conseguido sua redenção justamente em uma edição marcada por um nível de agressividade nunca antes visto no BBB. Foram três expulsões motivadas por ataques físicos —recorde na história do reality—, além de uma desistência após um caso de assédio.
Apesar disso, o Big Brother chegou perto, este ano, da popularidade que conquistou na pandemia, perdida nas últimas edições. Ainda que tivesse mantido uma audiência alta e um interesse expressivo do mercado publicitário incomuns na TV aberta hoje, o BBB vinha deixando de ser assunto no país inteiro.
A volta do apreço popular se deve em parte à presença de ex-BBBs memoráveis, como Sarah Andrade, Alberto Cowboy e Babu Santana, num esquema de repescagem que misturou os veteranos a famosos e anônimos. Assim, nasceram grupos tão inusitados quanto queridos, como o trio formado por Ana Paula, Milena, apelidada de tia Milena, e o tiktoker Juliano.
O BBB 26 termina com saldo positivo para a TV Globo. O programa foi visto regularmente por 23% dos brasileiros, afirma uma pesquisa do Datafolha feita no início de abril, e a média geral de audiência no Kantar Ibope foi de 17 pontos na Grande São Paulo —melhor que o BBB 25, mas ainda inferior à edição de 2024, com uma média de 20. Já pensando nas redes sociais, a atual edição teve o maior engajamento desde 2021.
Mas há ressalvas. O Ministério Público Federal abriu um inquérito civil para investigar se os participantes estariam sendo submetidos a práticas degradantes e relacionadas à tortura, como vinham dizendo alguns espectadores nas redes sociais.
A decisão veio após uma polêmica com a tradicional prova Quarto Branco, que neste ano premiava os vencedores com uma vaga no jogo. Nove pessoas foram confinadas na já conhecida sala de paredes e chão brancos, um ambiente sufocante, por cinco dias, e com acesso a pouca comida —biscoito e água de coco—, numa disputa tão árdua que fez até uma pessoa desmaiar.
A cena causou mal-estar no público, que chamou a prova de exagerada. Até um telejornal da Espanha criticou a Globo.
Não à toa, a emissora decidiu depois pegar mais leve nas provas. A última, de resistência —que costuma ser das mais difíceis—, deu abertura para que os participantes fossem ao banheiro e até se alimentassem.
Antes disso, porém, a rotina foi de caos. Na terceira semana, ao ouvir o toque do Big Fone —um telefonema que distribui prêmios e castigos—, o participante Paulo Augusto correu e agarrou um colega, que caiu no chão. Augusto acabou sendo desclassificado por agressão.
Duas semanas mais tarde, a ex-BBB Sol Vega, que vem da quarta edição do programa, sofreu a mesma punição quando, num rompante de fúria, jogou seu corpo contra o de Ana Paula. Três dias se passaram e o ex-jogador de futebol Edilson Capetinha foi convidado a se retirar após bater no rosto de Boneco.
Nada disso causou mais revolta, porém, que o assédio cometido pelo vendedor Pedro Henrique Espindola, que tentou beijar à força a advogada Jordana Morais, eliminada na semana passada. Sabendo que violou o regulamento —e que seria expulso—, Espindola se adiantou e apertou o botão de desistência. Fora da casa, ele foi indiciado pela Polícia Civil do Rio de Janeirro por importunação sexual.
O caso só piorou, em março, quando Espindola processou a emissora, pedindo uma indenização de R$ 4,2 milhões por quebra de contrato, dano moral e material. Seus advogados argumentam que ele não pôde se manifestar sobre as acusações e que a produção não deu o devido suporte jurídico, psicológico ou institucional, mesmo que a família tivesse alertado sobre o histórico de problemas mentais dele. Além disso, a partir da ação, vazaram detalhes do contrato do programa, e agora é a Globo quem cobra dele uma multa de R$ 1,5 milhão.
O prêmio oferecido neste ano pode ajudar a explicar por que os participantes quase perderam as estribeiras. A Globo vai entregar R$ 5,44 milhões, a maior láurea já dada no reality, o dobro da entregue no ano passado. A mudança veio após o público apontar que o prêmio, embora alto, já não causava o mesmo frisson, e que isso vinha deixando o jogo cada vez mais morno.
A lógica é que, com a popularidade que o programa dá aos participantes, fica fácil para eles ganharem muito dinheiro com publicidade —às vezes até mais que o prêmio. Isso sem contar que parte dos famosos escalados para participar do programa desde a 20ª edição já são endinheirados, e, portanto, chegavam lá menos compelidos a brigar pela coroa.
Para fazer os competidores se lembrarem diariamente da bolada que os esperava, a Globo decorou a sala da casa deste ano com cédulas e pepitas de ouro falsas, na mesa de centro, e, nas paredes, pendurou placas com o sinal de cifrão. O recado era claro.
Há certa razão nesse raciocínio do público e do canal. O BBB viveu uma crise no ano passado ao apresentar uma edição considerada desinteressante, com participantes acusados de terem pouca atitude —as ditas plantas, para usar o jargão do programa. Isso acabou gerando um problema agora, afirmou à Folha a psicanalista Camila Menezes na ocasião das últimas expulsões.
“Nesse formato de reality, os participantes são convocados a ter reações imediatas. Não têm tempo de maturar o que está acontecendo. Se você não responde a uma ofensa na hora, é visto como alguém sem opinião”, disse.
Por pouco as mudanças feitas pela Globo não causaram um efeito indesejado. Após os problemas do Quarto Branco, o público passou a debater sobre espetacularização do sofrimento, com pessoas privadas de sono ou reclamando de fome —Ana Paula fez isso mais de uma vez—, constantemente postas umas contra as outras, em dinâmicas forçadas ou exageradas, e confinadas num ambiente montado para gerar a sensação de sufocamento.
São sinais de que a maior parte dos fãs de BBB gosta, sim, de um jogo movimentado, mas desde que ele permaneça humanizado, diz a psicóloga Rebecca Garcez. “Nos últimos anos, a gente vem reconhecendo diversas formas de violência e o telespectador passou a ter tolerância social menor à agressão. Existe uma cobrança por parte da audiência de que sejam tomadas medidas cabíveis.”
Dias antes da final, os participantes ganharam recados em vídeos dos seus artistas favoritos. Tia Milena, por exemplo, gritou de felicidade ao ver o cantor Christian Chávez, do grupo mexicano RBD, lhe desejar boa sorte. Foi um jeito, talvez, de fazer o BBB 26 terminar mais leve, sem parecer um grande castigo do monstro.
BBB 26 chega ao fim entre polêmicas e emoção
O Big Brother Brasil 26 encerra sua temporada intensa nesta terça-feira, 21 de abril, após uma série de disputas acirradas e episódios marcantes. Com a eliminação recente de Leandro Rocha, conhecido como Boneco, seguem na disputa pelo prêmio final o dançarino Juliano Floss, a estudante Milena Moreira e a jornalista Ana Paula Renault — que voltou ao reality após ser expulsa há 10 anos no BBB 16.
Ana Paula Renault: redenção e jornadas pessoais
A trajetória de Ana Paula Renault foi uma das mais emocionantes desta edição. Além de sua volta surpreendente, a jornalista enfrentou uma notícia devastadora durante o confinamento: a morte de seu pai, Geraldo, aos 96 anos. A conexão profunda com ele e os momentos tensos contra adversários marcaram sua participação, conferindo uma carga emocional intensa para o público.
Episódios de agressão e debate sobre limites no reality
O BBB 26 ficou marcado por um nível de agressividade nunca antes visto, com três expulsões por ataques físicos e uma desistência após um caso gravíssimo de assédio. Esses fatos motivaram discussões sobre os limites da competição e o que configura entretenimento aceitável. A agressividade dentro da casa gerou preocupação e respostas oficiais das autoridades.
Prova do Quarto Branco e investigação do Ministério Público
Uma das provas mais polêmicas foi o Quarto Branco, que colocou nove participantes confinados em um ambiente sufocante, com pouca comida, por cinco dias. Isso gerou mal-estar público, críticas da imprensa internacional e até um inquérito do Ministério Público Federal para apurar possíveis práticas degradantes e violações aos direitos dos participantes.
Audiência crescente e engajamento nas redes sociais
Apesar dos episódios controversos, o BBB 26 recuperou parte de seu prestígio e popularidade, mantendo uma alta audiência: cerca de 23% dos brasileiros acompanhavam regularmente o programa, segundo pesquisa Datafolha. A média de audiência na Grande São Paulo foi de 17 pontos, superando o ano anterior. Nas redes sociais, esta edição registrou o maior engajamento desde 2021, confirmando o apelo entre os fãs.
Prêmio recorde e a motivação dos participantes
Para incentivar disputas mais acirradas, a Globo aumentou o prêmio final para R$ 5,44 milhões — o maior valor da história do reality, o dobro do ano passado. A produção também reforçou símbolos do dinheiro dentro da casa, como cédulas e placas com o cifrão, para manter viva a ambição pelo troféu maior. A estratégia visa evitar edições “mornas” e garantir um jogo mais dinâmico e competitivo.
O desafio de equilibrar emoção e segurança no BBB
O BBB 26 mostrou os desafios de conduzir um programa popular que alia emoção e competitividade sem ultrapassar os limites éticos. As reações imediatas e os conflitos intensos, típicos do formato, exigem atenção especial da produção para proteger os participantes e preservar a humanização do jogo. Esse equilíbrio será fundamental para garantir que futuras edições continuem atraindo o público de forma saudável e responsável.